Ordem abre processo a médico que operou na Lagoa

A Ordem dos Médicos vai abrir um inquérito e um processo disciplinar ao oftalmologista que operou numa clínica no Algarve quatro doentes que se encontram internados com risco de cegueira.

Em declarações à agência Lusa, o bastonário Pedro Nunes adiantou que a Ordem vai abrir um inquérito e um processo disciplinar e está disponível para colaborar com todas as outras entidades na investigação a este caso.

O responsável adiantou que será ainda averiguado se o clínico, de origem holandesa, estava ou não registado ou inscrito na Ordem dos Médicos.

No final da manhã de hoje, os quatro doentes que foram submetidos a cirurgias oftalmológicas na clínica I-QMed na Lagoa encontrava-se no Hospital dos Capuchos em Lisboa sob prognóstico 'muito reservado' em relação à visão.

Manuel de Brito, da administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central, relatou à Lusa que os quatro doentes internados foram operados no mesmo dia e pelo mesmo médico na clínica da Lagoa.

Quando os doentes deram entrada no Hospital dos Capuchos, a administração comunicou de imediato à Direcção Geral da Saúde, precisamente pela relação entre todos os casos.

Trata-se de dois homens (um deles de nacionalidade inglesa) e de duas mulheres. Três dos doentes foram submetidos a uma intervenção de correcção de cataratas e uma das mulheres a uma cirurgia para colocação de lentes, adiantou ainda Manuel de Brito.

'Neste momento está a fazer-se a terapêutica necessária e estarão internados o tempo que for considerado clinicamente necessário', disse, acrescentando ser prematuro adiantar uma previsão.

Segundo a equipa clínica do Hospital dos Capuchos, que já contactou o médico da clínica da Lagoa, os doentes foram afectados por uma infecção pós cirúrgica, mas a Inspecção Geral das Actividades em Saúde encontra-se ainda a investigar as causas.

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