Onda de calor causou quase 1700 mortes no Verão

Estudo da Direção-Geral de Saúde refere que entre 23 de junho e 14 de julho deste ano ocorreram mais 1688 mortes do que o esperado. A causa apontada são as temperaturas elevadas que se fizeram sentir nestas três semanas.

O relatório foi elaborado pela Unidade de Apoio à Autoridade de Saúde Nacional e à Gestão de Emergências em Saúde Pública e publicado no último dia de outubro. O trabalho teve em conta a procura de cuidados médicos nos serviços de urgência, as chamadas para o Centro de Atendimentos do SNS-Saúde 24, os pedidos de cuidados de saúde para o Instituto Nacional de Emergência Médica e a mortalidade registada.

Segundo os dados recolhidos, "durante o período da onda de calor observou-se excesso de mortalidade significativo entre 28 de junho e 14 de julho, com exceção do dia 3 de julho, onde se observou um excesso de 13%, não significativo".

Durante estas três semanas, que correspondem a duas ondas de calor registadas pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), registou-se um aumento do número de mortos registados em Portugal cerca de 30% acima do esperado. O dia mais problemático, assinala a DGS ocorreu a 8 de julho, com um total de 477 mortes registadas, mais do dobro das esperadas (232 óbitos).

Em termos gerais, a DGS salienta que se observou um excesso de mortalidade mais elevado nas mulheres (45%) do que nos homens (21%).

Já por grupo etário, o relatório adianta que "apenas foram observados excesso de mortalidade significativo na população acima dos 75 anos de idade". "Abaixo deste limiar da idade, foram observados excessos de mortalidade entre os 45 e os 74 anos, que não se revelaram estatisticamente significativos", sustenta.

As regiões com os mais elevados aumentos relativos de mortalidade associados a onde calor foram o Norte (41%) e o Centro (36%).

Outra das conclusões do relatório é a de que se verificou um aumento da procura de cuidados médicos nos serviços de urgência, particularmente evidente no período de 3 a 15 de Julho, com picos máximos nos dias 1, 8 e 15, sendo o maior o do dia 8.

Saliente-se que para definir o valor dos óbitos esperados, os técnicos tiveram em conta "vários indicadores de morbilidade e mortalidade no período da onda de calor e num período de referência, homólogo, durante o qual não foram observadas temperaturas extremas".

Para este trabalho, o valor de referência para a mortalidade foi o período de 2007 a 2012, excluindo o ano de 2010. Para os outros indicadores foi utilizado o período de 2012".

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