Oliveira Costa investiu pouco mais de um milhão de euros em ações que valiam 78 milhões

O antigo presidente do BPN, Oliveira Costa, conseguiu ter uma posição de controlo acionista do grupo SLN com ações que a preços de mercado valiam 78 milhões de euros, apesar de ter investido um milhão e 120 mil euros.

Os dados foram avançados hoje pela testemunha de acusação Paulo Jorge Silva, inspetor tributário de Braga, que salientou que, apesar de Oliveira Costa só ter na sua conta bancária o valor de um milhão e 120 mil euros, logrou ter um controlo acionista do grupo que atingiu 78 milhões de euros em valor de mercado àquela data, ou seja, quase oitenta vezes mais. O juiz presidente do julgamento do caso BPN, Luís Ribeiro, lembrou, depois de ouvir estas afirmações, que ainda recentemente tentou vender-se o BPN e não havia interessados.

A Sociedade Lusa de Negócios (SLN) era a proprietária do BPN, antes da nacionalização deste banco. Entre outras declarações, feitas na sessão da tarde pela testemunha, ficou a saber-se que em 2001 José Oliveira Costa transferiu da sua conta 300 mil euros para nome dos seus filhos e de uma sociedade que o inspetor tributário presume ter como beneficiários os netos do antigo presidente do Banco Português de Negócios (BPN). Esta operação terá sido realizada por altura de um aumento de capital da SLN Valor no verão de 2001. O antigo presidente do BPN, José Oliveira Costa, está a ser julgado neste processo por crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação de documentos, branqueamento de capitais, infidelidade, fraude fiscal qualificada e aquisição ilícita de acções.

São também julgadas outras 14 pessoas e a empresa Labicer por crimes diversos, desde abuso de confiança a burla qualificada, passando por fraude fiscal e falsificação de documentos, entre outros ilícitos. Desde que o Banco Português de Negócios (BPN) foi nacionalizado, o Estado já teve de injetar cerca de 4,7 mil milhões de euros para cobrir o "buraco financeiro" deixado na instituição por Oliveira Costa e restantes arguidos. O processo BPN está em julgamento nas Varas Criminais de Lisboa, no Campus da Justiça.

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