O "speech writer" de Passos que quase escolheu Keynes

Há meses escrevia os discursos de Passos, agora é vice-presidente da bancada do PSD. O setubalense que ensina Marx na academia.

Miguel Morgado ensina política há 16 anos, mas é novato no Parlamento. Estreou-se no hemiciclo na quarta-feira e destacou-se por uma intervenção incisiva na réplica ao ministro das Finanças, Mário Centeno - que comparou a "Marx, o Groucho".

O professor de Ciência Política da Universidade Católica Portuguesa, Miguel Morgado, tem agora, aos 41 anos, uma nova prioridade: é deputado. Foi apresentado por um amigo a Passos Coelho em 2010, dois meses depois do atual líder do PSD ter vencido Paulo Rangel em diretas.

Com Passos debateu política e acabaria por ser convidado para o gabinete do ex-primeiro-ministro, em julho de 2011, como assessor político. Além de speech writer tinha "tarefas múltiplas" que diz serem "muito diversas".

No final da anterior legislatura terá pedido a Passos para ir para o Parlamento. Chegou a vice-presidente da bancada no último mês por convite do líder parlamentar, Luís Montenegro, e do líder do partido. É militante do PSD, "mais ativo desde 2010".

Irrita-se com os "preconceitos" que a esquerda tem relativamente a certos pensadores e recorda que ensina Marx e Keynes. Aliás, como contou ao DN, a sua tese de doutoramento chegou a ser sobre o economista britânico, mas depois acabou por optar por outro tema "mais interessante", que resultaria em livro: A Aristrocacia e os Seus Críticos. Também admite que admira Paul Krugman como economista, mas não, naturalmente, como político. É adepto do Vitória de Setúbal, clube da cidade onde nasceu e cresceu.

Os pais moravam, aliás, perto do estádio do Bonfim, e estudou na Escola Secundária Sebastião da Gama. Não era um aluno brilhante, mas passou a sê-lo na universidade: a carreira académica foi feita na Católica, como estudante e professor. Também deu aulas (de Ciência Política e Economia) na Universidade da Beira Interior e na Universidade de Toronto. Continua a dar aulas, mas pouco tempo.

Como referências, da filosofia à literatura, é eclético. Gosta de Platão, Cícero, Maquiavel, Montesquieu ou Rousseau. De Dostoiévski e de Tolstói. De Camões e Pessoa. De Balzac, de Shakespeare, de Cervantes, de Goethe. Uma lista infindável.

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