O regresso do feriado nos 106 anos do republicanismo

As comemorações oficiais do 5 de Outubro realizam-se maioritariamente em Lisboa. Em Alpiarça é homenageado João Relvas.

As comemorações do 5 de Outubro voltam neste ano a ser celebradas oficialmente num dia feriado, com o Presidente da República a celebrar o 106.º aniversário da implantação da República com um discurso na Praça do Município.

Após três anos de cerimónias confinadas ao edifício dos Paços do Concelho, de cuja varanda foi proclamada a implantação da República, Marcelo Rebelo de Sousa e o presidente da autarquia, Fernando Medina, escolheram discursar no largo fronteiro à câmara.

A cerimónia inicia-se às 11.00 da manhã, precisamente a hora a que em 5 de outubro de 1910 foi declarado o novo regime por João Relvas, Eusébio Leão e Inocêncio Camacho: "Unidos todos numa mesma aspiração ideal, o Povo, o Exército e a Armada acabaram de, em Portugal, proclamar a República." A seguir seria lida, por Inocêncio Camacho, a lista dos membros que iriam integrar o governo provisório liderado por Joaquim Teófilo Braga.

Em Alpiarça, localidade onde João Relvas se fixou no final do século XIX, o conspirador é hoje alvo de homenagens por parte da câmara local, com a deposição de uma coroa de flores no jardim municipal e um debate na Casa dos Patudos (residência daquele dirigente do Partido Republicano).

Em Lisboa, ao fim da manhã, o Chefe do Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas - de cujas fileiras saíram os revoltosos liderados pelo comissário naval Machado Santos na noite de 3 de outubro de 1910 - visita a sede da Liga dos Combatentes. Marcelo Rebelo de Sousa, que é há anos sócio benemérito dessa instituição, também é agora presidente de honra do Conselho Supremo da Liga dos Combatentes, criada em 1921 e na sequência da Primeira Guerra Mundial.

A sessão solene, além dos discursos do Chefe do Estado e do presidente da Liga, general Chito Rodrigues, inclui o descerrar de uma placa alusiva aos 95 anos de vida de uma instituição que atualmente abrange também os antigos combatentes das missões humanitárias e de paz iniciadas nos anos 1990 e tem a responsabilidade de manter e conservar os monumentos e locais no estrangeiro onde há militares portugueses mortos durante a Primeira Guerra Mundial e nas guerras coloniais.

Marcelo Rebelo de Sousa preside também, à tarde, na sede da Academia Militar em Lisboa, à cerimónia de entrega das espadas aos 73 oficiais - nove dos quais mulheres - do Exército que concluíram o curso em 2015-2016. O Presidente, recebido no Paço da Rainha pela tradicional guarda de honra, volta a discursar neste 5 de Outubro perante o Corpo dos 520 alunos (Exército, GNR e países africanos lusófonos) atualmente em formação, em que intervém igualmente o chefe do Estado-Maior do ramo, general Rovisco Duarte.

As comemorações do 5 de Outubro terminam com a visita presidencial à primeira Mercearia Social de Lisboa (inaugurada em abril na Junta de Freguesia de Santo António) e uma cerimónia de imposição de condecorações, no Palácio de Belém, a Manuel Alegre, Joaquim Sousa Ribeiro e Guilherme d"Oliveira Martins.