O que os lisboetas querem na cidade

A plantação de uma árvore por cada criança nascida em Lisboa este ano, a instalação por toda a cidade de pontos radiofónicos que transmitam música e notícias e a colocação de um painel decorado com graffiti que perpetue a memória do antigo Casal Ventoso.

Estas são algumas das propostas que constam da lista provisória de projetos que, entre a próxima quinta-feira e 6 de novembro, irão estar em votação pública no âmbito da sétima edição do orçamento participativo da capital.

As ideias mais votadas - que representarão um investimento total de 2,5 milhões de euros - terão de ser obrigatoriamente executadas pela câmara municipal. O elenco de iniciativas é ainda provisório, mas indicia já quais serão as intervenções que este ano vão poder ser eleitas pelos lisboetas como indispensáveis para a sua cidade. Ao todo - e ainda condicionados à aceitação de eventuais reclamações - são 211 os projetos exequíveis resultantes de mais de meia centena de propostas apresentadas pelos cidadãos de 7 de abril a 7 de junho. A transformação esteve a cargo dos serviços camarários que, agora e segundo a informação disponível no site oficial do orçamento participativo, têm até quarta-feira para apresentar a lista final.

Será a partir do dia seguinte que qualquer pessoa poderá - nas assembleias de voto, via Internet ou por SMS - votar em duas ideias: uma de valor inferior ou igual a 150 mil euros e outra entre este montante e os 500 mil euros. No final, ganham tantas ideias quanto as que perfaçam, no primeiro caso, os 1,5 milhões de euros e, no último, o milhão. Os resultados deverão ser divulgados na segunda semana de novembro.

Na prática, são 11 as áreas por que se distribuem as propostas dos cidadãos, com, à semelhança do que tem sido habitual, a maioria a destinar-se a alterações no "espaço público e espaços verdes". Do fabrico e instalação de casulos nos jardins dos museus da capital à colocação de sensores nos contentores do lixo para que estes sejam monitorizados, passando pela criação e melhoramento de parques infantis em vários bairros e freguesias da capital, são 90 os projetos que pretendem mudar a cara das praças e ruas alfacinhas.

Em segundo lugar, com um total de 46 iniciativas, surge o campo das "infraestruturas viárias, trânsito e mobilidade". Aqui destacam-se as propostas relacionadas com percursos cicláveis , travessias de peões "zonas 30" e estacionamento, mas nem por isso deixam de surgir outras mais curiosas, como a criação de uma "área de serviço para autocaravanas" ou o encerramento no primeiro domingo de cada mês de um troço da Avenida de Roma para uso recreativo.

A existência de uma peça de arte pública que homenageie "todos os que têm escolhido a cidade de Lisboa para construir a sua vida" (cultura), a disponibilização de apoio psicológico num espaço móvel como uma carrinha adaptada (ação social e habitação), a criação de um campo de treino para bombeiros voluntários (segurança e proteção civil) e implementação de 20 estações de aluguer de carrinhos de bebé (turismo, comércio e promoção económica) são outros dos projetos que evidenciam a diversidade da lista divulgada online no Lisboa Participa.

Igualmente diversificada é a distribuição geográfica das 211 entradas. Embora existam 47 com localização ainda por definir - como a fundação de "um centro de formação e produção de tapetes altamente profissionalizados" ou a realização de uma "grande exposição sobre a luz de Lisboa" - e outros 24 destinados a toda a cidade - de que são exemplo a implementação de uma rede de bebedouros, o lançamento de uma campanha de sensibilização para a recolha de dejetos caninos e a instalação de baloiços com adaptação para cadeiras de roda -, apenas a freguesia da Misericórdia não é alvo de qualquer proposta de intervenção.

No extremo oposto, surge a do Parque das Nações, criada de raiz há menos de um ano e composta, em grande parte, pela urbanização que nasceu no território onde se realizou a Expo"98 e que, até meados de 2012, foi gerida exclusivamente pela empresa Parque Expo. Entre as 17 iniciativas, estão a criação de um "autocarro de bairro" no Parque das Nações, várias melhorias a nível urbanístico e de mobilidade na Rua da Centieira, caracterizada por casas antigas e algo degradadas, e a recuperação de espaços verdes. Os dois últimos temas predominam também nas restantes unidades administrativas que completam o pódio - Alvalade (15) e Santa Maria Maior (13).

No ano passado, houve 16 vencedores, escolhidos por cerca de 36 mil votantes (ver texto secundário). Em 2008, - quando Lisboa se tornou a primeira capital europeia a ter uma iniciativa do género "verdadeiramente deliberativa" - tinham sido apenas mil os eleitores.

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