O que já chamaram ao acordo: da geringonça ao caterpillar

Nos últimos dias os acordos assinados entre PS e PCP, Bloco e PEV têm aguçado a criatividade dos críticos

Nódoa, prato de lentilhas, caterpillar, geringonça, bebedeira, tuk-tuk. Já lhe chamaram de tudo. Todos os nomes. O acordo de esquerda tem afinado a criatividade nas comparações e metáforas na retórica política. Apoiantes e, acima de tudo, críticas têm puxado pela imaginação para criticar o acordo que resultou do programa de governo do PS que a esquerda anunciou que viabilizará no Parlamento.

Geringonça e bebedeira

O vice-primeiro ministro, Paulo Portas, utilizou a expressão no dia em que o governo foi derrubado no Parlamento, lembrando que era emprestada, pois tinha sido Vasco Pulido Valente o primeiro a classificar o acordo de esquerda como "geringonça". No dia 10 de novembro, Portas disse então, no debate do programa, que o acordo de esquerda "não é bem um governo é uma geringonça", acrescentando que "não é uma coligação, tão pouco será um acordo." Ontem voltou a insistir no termo: "Nós já conhecemos hoje a primeira notícia da geringonça. O tal aumento de pensões vai ser de 0,3%".

O mesmo Paulo Portas classificou ainda o acordo como "bebedeira de medidas, tudo a correr e de preferência ao mesmo tempo", advertindo que as "bebedeiras têm um problema: chama-se ressaca."

Caterpillar e prato de lentilhas

Ontem, nas jornadas parlamentares "Portugal Caminhos de Futuro", o vice-presidente do PSD, Jorge Moreira da Silva, lembrou os eleitores de esquerda, dizendo que "votaram num programa e saiu-lhes um prato de lentilhas". Além de prato de lentilhas, o primeiro vice-presidente do PSD acusou ainda que "não é um acordo, é um 'caterpillar', porque a sua vocação foi derrubar". Nas mesmas declarações Moreira da Silva disse ainda que o acordo era uma "nódoa" na história do PS.

Tuk-tuk

Na comissão nacional do PS, o ex-deputado do PS, Ricardo Gonçalves, crítico de um acordo à esquerda, comparou a um tuk-tuk. "Cheguei aqui a Lisboa e vi um 'tuk-tuk', o que me fez logo lembrar esse Governo que a direção do PS agora pretende formar com o apoio do PCP e Bloco de Esquerda. Tal como o 'tuk-tuk', esse Governo também faz muito barulho, mete-se por todas as vielas, leva alguma gente a bordo e até é exótico. Mas tal como o 'tuk-tuk', parece um Governo puxado por uma motorizada e, como tal, não pode ir muito longe".

PPP e o Pai Natal

O ex-dirigente do PS e segurista António Galamba a 23 de outubro, numa reunoão da comissão política classificou um então ainda hipotético acordo à esquerda como uma Parceria Público-Privada (PPP). António Galamba disse então: "Já não estou em idade de acreditar no Pai Natal, no legítimo ou no das esquerdas à nossa esquerda". Para Galamba o acordo seria "assumir uma PPP com a esquerda à nossa esquerda cuja fatura será apresentada em futuras eleições legislativas".

Histórico

Para equilibrar todos os nomes negativos que têm chamado ao acordo de esquerda, são vários os apoiantes que destacam que se trata de um acordo histórico. Mesmo à direita há quem assuma que se fez história, embora pelas piores razões.

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