O professor que transforma o tempo

João Paulo Vieira é o professor do mês de abril. Leciona na escola secundária D. Maria II, em Braga, ensina geometria descritiva, edição eletrónica e coordena o clube de astronomia.

Começou a dar aulas há 22 anos, quando tinha apenas 19 e ainda era estudante universitário. Foi na sala de aulas que descobriu uma paixão inesperada pelo ensino e acabou por preferir a escola aos ateliês. Usa outra paixão, a astronomia, para envolver e motivar os alunos, que até já descobriram e deram nome a asteroides.

Os seus alunos dizem no vídeo da candidatura que é "o professor que vê cinco minutos como 300 segundos". Acha que é por aproveitar muito bem o tempo como também dizem mais tarde?

Também é um bocadinho isso, mas penso que é sobretudo pela questão da Astronomia. Eu dinamizo o clube da escola e falamos muito das questões do tempo, de como se mede, de como pode ser relativo. E 300 parece mais do que cinco, apesar de ser a mesma coisa. É uma questão de abordar os temas de forma diferente.

É uma das suas características como professor, abordar os temas de forma diferente?

Tento fazê-lo, mas nem sempre resulta. Mas uma parte disso é tentar ver as coisas do ponto de vista dos alunos. Todos os dias aprendo muito com eles. E perceber a forma como eles pensam dá-me mais ferramentas para abordar os temas.

Há quantos anos dá aulas?

Desde 1991. Era ainda um aluno da universidade, tinha 19 anos, era um miúdo quase. Havia muita falta de professores em algumas áreas e apareceriam anúncios nos jornais. Por necessidades pessoal resolvi responder e comecei a dar aulas. Arranjei um horário mais pequeno e fui conciliando o curso de arquitetura e as aulas.

Acabou por optar pelo ensino. Descobriu uma paixão?

É verdade. Durante anos tentei compatibilizar as duas coisas, mas chegou a uma altura em que tive de escolher. Gosto muito de arquitetura mas escolhi o ensino porque é o que me preenche.

Ensina Geometria Descritiva mas não só...

É incrível, acho que já dei umas 20 disciplinas. Sou professor da área das Artes e ensino Geometria Descritiva, mas também Desenho, Design, este ano Edição Eletrónica no curso profissional, CAD, Educação Visual... e depois há o Clube de Astronomia.

É outra paixão?

Sim, quando fui para a universidade hesitei entre a área das ciências e arquitetura. Escolhi a segunda mas continuei sempre interessado em ciências e especialmente em astronomia. Depois fui fazer um mestrado em Astronomia porque cheguei a uma altura em que achei a minha formação insuficiente e com alunos do 11.º e 12.º anos é preciso estar sempre atualizado.

É uma área que interessa muito os alunos?

É uma área fantástica, sobretudo porque envolve muitas disciplinas, da Biologia à Química, Física, Geografia e até Inglês e Português. Consegue envolver alunos de todas as áreas e também os colegas, dinamizando toda a escola.

Já descobriram até asteroides...

Sim, já descobriram cinco, estamos à espera de uma confirmação. Mas esse é apenas um dos muitos projetos em que participam. Temos alunos apurados para a RoboCup 2013, na Holanda, e para a final do concurso Jovens Cientistas e Investigadores 2013, com um projeto para medição da temperatura das estrelas. Para os alunos é fantástico fazerem aquilo que gostam e evoluírem. Ficam com ferramentas muito boas para o ensino superior: habituam-se a falar em público, tornam-se mais inovadores e até melhores pessoas.

Também fez o site da escola e sites para as várias disciplinas. Como é que tem tempo?

Ontem perguntaram-me quantas horas trabalhava por semana e estive a pensar nisso. Acho que mais de 60, talvez 70. Só que dá tanto gozo, sobretudo ver o prazer dos alunos, que é quase como se fosse um hobby.

(O DN lançou um projeto para dar a conhecer os bons exemplos desde o 1.º ciclo até ao secundário. A JP Inspiring Knowledge é o "main sponsor")

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