"O Presidente não funciona para dar voz aos partidos"

Líder social-democrata diz que Marcelo deve ser "ouvido com atenção" e para "levar a sério", mas que não se deve confundir com partidos

O presidente do PSD disse hoje que não comentava as palavras Presidente da República, mas na não-resposta acabou por responder ao chefe de Estado. Pedro Passos Coelho disse que "o Presidente deve ser ouvido com atenção e levado a sério nas declarações que faz", mas não se sente "na obrigação de comentar" as mesmas.

Marcelo Rebelo de Sousa tinha dito hoje que o Governo não depende das autárquicas, depois de ontem ter afirmado que havia um ciclo político até esse escrutínio. Em conferência de imprensa na sede do PSD, onde fez um balanço dos seis meses de executivo PS, Passos disse também que o "Presidente da República está numa posição que não é partidária".

Mais tarde, após questionado várias vezes pelos jornalistas, Passos insistiu que "o Presidente não funciona para dar voz aos partidos", nem os "substitui". Os partidos, diz o presidente do PSD, "têm voz própria e devem falar por si". Ou seja: a posição do chefe de Estado não se deve confundir com as dos partidos.

O não -comentário, não dispensou assim palavras que podem ser entendidas como recados. Mesmo dizendo que não comentava a opinião de Marcelo sobre a economia (em que o Presidente se tem considerado "otimista" - embora não tanto como António Costa), Passos disse ser um "irritante realista", voltando a dizer que não acredita que o governo cumpra as metas a que se propôs, incluindo a previsão para o crescimento económico.

Embora tenha passado uma boa parte da conferência a falar sobre o "Presidente Rebelo de Sousa", Passos esteve a maior parte do tempo a atacar o governo PS. Afinal, a conferência era um balanço sobre o primeiro ano de governo. E aí foi claro: "Os resultados são negativos".

No entender do presidente do PSD, "desde a posse deste governo, por exemplo nas taxas de juro, Portugal duplicou a diferença das taxas de juro face à Espanha e afastou-se de países como Espanha, Itália ou Irlanda, para estar mais próximo da Grécia".

Passos alerta que "para satisfazer as exigências da sua base de apoio radical" o governo tem vindo a desfazer as mudanças estruturais que o anterior executivo conseguiu fazer. O resultado, no entender de Passos, é um "retrocesso democrático" e um "declínio económico, social e político".

O líder do PSD utilizou o termo "desastroso" para se referir à política macroeconómica, à reposição das 35 horas na função pública e a políticas de vários outros setores como o arrendamento. Mesmo a reposição de rendimentos, a grande bandeira da esquerda, está a ser feita sem ligação a uma "estratégia da concertação social", numa política que coloca em causa a "viabilidade das empresas".

O presidente do PSD acusa ainda o governo de "taticismo" e "manipulação intelectual", defendendo que ao invés de melhor a voz na Europa, o atual executivo colocou "Portugal num quadro de desconfiança" e numa posição de estar submetido a "reprimendas" de Bruxelas.

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