O papa "está a criar uma nova maneira de viver a Igreja"

O patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, disse hoje, em Lisboa, que se está a assistir a "um novo movimento eclesial" ou "a Igreja em movimento".

O Sínodo, disse o clérigo português, inaugurou "uma maneira de exercer consensualidade". Manuel Clemente falava numa conferência de imprensa de balanço do Sínodo, hoje, em Lisboa.

O papa "está a criar uma nova maneira de viver a Igreja, com certeza, mesmo o que aconteceu nestas duas semanas [no Sínodo], em que se falou com a maior franqueza, às vezes com muito ímpeto, e o papa, imperturbável, [afirmando] 'continuemos, vamos para a frente'", disse Manuel Clemente.

"Isto é um novo movimento eclesial ou, se quiserem, a Igreja em movimento", sublinhou.

O patriarca português realçou que a reunião sinodal "envolveu uma caminhada e uma amplitude de intervenientes que é inédita".

"Vamos ver até onde isto nos leva, não posso estar a prever, ninguém pode - se calhar, nem o papa Francisco - onde é que nós estaremos nesta revelação sobre esta realidade familiar, em outubro de 2015 [data do próximo Sínodo extraordinário], quando o papa, fruto de todas estas reflexões, nos oferecer uma exortação", afirmou.

Dos documentos saídos da reunião em Roma, haverá agora um amplo debate nas dioceses, alargado a leigos e especialistas, cujo resultado será apresentado em Roma, em outubro do próximo ano, última etapa desta "caminhada", depois do inquérito nas dioceses aos católicos, e da realização do Sínodo em 2014.

Em 2015, assinalar-se-ão os 50 anos do documento conciliar "Gaudium et spes", que aborda questões como a relação Igreja-mundo, a dignidade humana, a família e a tecnologia.

Manuel Clemente disse hoje, numa conferência de imprensa, no patriarcado, em que fez o balanço deste último sínodo, que "há uma maneira nova de ver os problemas".

"Há uma maneira nova de ver os problemas, de orientar e conduzir a reflexão eclesial acerca destas temáticas tão centrais, como a que diz respeito à família, que o papa Francisco prossegue, que é de envolver constantemente a Igreja, não apenas e só o colégio episcopal - que é ele a cabeça -, mas em que que estejamos atentos à reflexão que se vai fazendo, e ouvir os especialistas. Julgo que isto vai marcar uma fase da vida da Igreja", disse.

No Sínodo, que decorreu em Roma de 05 a 19 deste mês, prevaleceu "a validade da família cristã por maioria absoluta".

O prelado que participou nos trabalhos, em representação da Conferência Episcopal de Portugal, afirmou que foram abordadas outras realidades, nomeadamente dos divorciados e recasados, que pretendem participar nos sacramentos, e dos homossexuais, tendo deixado claro que a Igreja não exclui ninguém.

Manuel Clemente realçou "a nova realidade familiar", e citou o Evangelho para afirmar: "Temos de conciliar coisas novas com coisas velhas".

"A problemática familiar é transversal, mas hoje não é unívoca. Noutro tempo, quando se falava em família, estava tudo muito bem definido", disse o líder da diocese de Lisboa, acrescentando que atualmente há "uma abrangência maior de situações".

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