O novo super-espião que Ramos-Horta elogiou por Timor-Leste

O bloco central mantém-se em forma no mundo das secretas. PSD diz que o novo secretário-geral é um "bom perfil"

"Esteve no olho do furacão, em Díli, nos meses mais sangrentos da história do povo maubere", garante José Ramos-Horta, prémio Nobel da Paz e ex-presidente de Timor-Leste, sobre José Júlio Pereira Gomes, o homem que António Costa escolheu para liderar as secretas. O presidente do PSD foi ouvido e ao DN Teresa Leal Coelho confirma o acordo: "É um bom perfil", declarou. Sobre o atual secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira, sublinha que "fez um excelente trabalho".

Diplomata de carreira, Pereira Gomes é o atual embaixador na Suécia e a sua indigitação está a ser interpretada como um sinal do primeiro-ministro aos espiões de que é o fim de um ciclo, consolidado com Júlio Pereira, de dirigentes da "casa", como são os atuais diretores do Serviço de Informações de Segurança (SIS) e do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), ambos ex-chefes de gabinete do chefe do SIRP. É também a rutura com os magistrados chamados nos últimos anos para liderar o SIS.

"O perfil e a experiência diplomática - com inevitável conhecimento do mundo das informações - e a grande proximidade do embaixador Pereira Gomes a António Vitorino, um senador socialista, de quem foi secretário de Estado, no governo de António Guterres, podem ser os elementos de garantia de confiança e credibilidade que as secretas precisavam, sintetiza um ex-quadro superior do SIRP, que acompanha o setor.

Pereira Gomes esteve, de facto, em Timor-Leste no histórico ano de 1999, ano do referendo que ditou a independência daquele território. Era o chefe da missão de observadores portugueses e é no livro que escreveu quando voltou - O Referendo de 30 de Agosto de 1999 em Timor-Leste - o Preço da Liberdade - que Ramos-Horta escreveu estas palavras. "Os observadores portugueses comportaram-se sempre com correção, muita coragem e sacrifício, com a prudência e a distância necessárias ao estatuto de Portugal em todo um processo extremamente delicado, sem aventureirismo e protagonismo exagerado. (...) José Júlio Pereira Gomes chefiou a Missão. Foi uma tarefa hercúlea, ingrata, mas, ao mesmo tempo, generosa e com a recompensa moral de fazer parte de uma verdadeira epopeia", declarou.

Não deixou de ser alvo de desagrado nas secretas, soube o DN, o momento do anúncio desta substituição, em vésperas da realização de uma importante operação de segurança, para a visita do Papa Francisco. A fazer lembrar a demissão, essa com mais estrondo, do ex-diretor do SIED Jorge Silva Carvalho, poucos dias antes da realização da Cimeira da Nato em Lisboa, em 2010. Com João Pedro Henriques

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