O mais "quente" de todos os debates até agora

Por iniciativa do líder do Bloco de Esquerda, promessas do Governo ao FMI sobre Taxa Social Única dominaram frente-a-frente na SIC.

Francisco Louçã tinha um coelho na cartola para mostrar no frente-a-frente com José Sócrates: uma carta do ministro das Finanças ao FMI onde este alegadamente prometeu uma "grande diminuição" das contribuições das empresas para a Segurança Social (ou seja: uma grande diminuição da Taxa Social Única).

Apesar de ter insistentemente questionado Sócrates sobre quanto será esta redução, Sócrates não respondeu. A dado momento até afirmou: "Uma grande redução pode ser 1%." Na questão da TSU, Sócrates usou o debate com o líder do BE para...atacar o PSD.

Sócrates e Louçã disputaram o mais "quente" dos quatro debates até agora realizados entre os líderes dos cinco maiores partidos - facto a que não é alheio disputarem o mesmo eleitorado.

Sócrates queixou-se de não ter um programa eleitoral do BE para poder citar ("isso não é leal") e, para compensar, usou a seu favor linguagem usada pelo Bloco na moção global aprovada na última convenção do partido (promessas, por exemplo, de "derrotar a burguesia"). Os ataques do líder socialista ao líder bloquista centraram-se no facto de o BE ter estado (com o resto da oposição) no chumbo ao PEC 4: "O FMI veio para Portugal pela sua mão."

A proposta do BE para que a dívida portuguesa seja renegociada ocupou também grande parte do debate. Sócrates atacou-a e Louçã defendeu-a. O líder socialista recusou também comprometer-se com a taxa de juro ontem anunciada pela Comissão Europeia para a parte europeia do empréstimo internacional (entre 5,5 e 6% ao ano, durante dez anos). Ainda "vai ser definida pelo Ecofin", afirmou. Já para Louçã é claro: "Este acordo não pode ser pago. É um péssimo acordo."

Sócrates terminou o debate lamentando que o BE considere o PS o seu "adversário principal". Louçã, pelo seu lado, apelou explicitamente aos eleitores "desiludidos com o PS". Louçã volta amanhã a ter um frente-a-frente, desta vez com Jerónimo de Sousa, líder do PCP, na RTP-1.

Leia a seguir o debate minuto a minuto:

21.33 - O frente-a-frente Louçã/Sócrates terminou. Amanhã, na RTP-1, Louçã debate com Jerónimo de Sousa

21.31 - Loução no seu minuto final diz que a taxa de juro que Portugal pagará pela assistência externa "é pior" do que na Grécia e Irlanda. Dirige-se assumidamente aos que estão "desiludidos com o PS"

21.30 - Candidatos entraram no minuto final. Sócrates é o primeiro. Louçã encerrará o frente-a-frente. Sócrates lamenta que o BE considere o PS como o "adversário principal", acusando os bloquistas de serem co-responsáveis pela crise.

21. 28 - Louçã acusa Sócrates de querer privatizar um terço da CGD

21.24 - Sócrates não se compromete com taxa definida pela Comissão Europeia para a parte europeia do empréstimo acordado com a 'troika'. "Ver ser definida pelo Ecofin."

21.22 - "Este acordo não pode ser pago. É um péssimo acordo", diz Louçã, acrescentando que só a parte europeia do financiamento custará 10 mil euros por cada contribuinte de classe média.

21.20 - Louçã diz que a "já percebeu a estratégia" de Sócrates no debate: "É nunca responder."

21.17 - Sócrates diz que a proposta de Louçã para renegociar a dívida implica não pagar parte da dívida. E cita a moção subscrita por Louçã na última convenção do BE, onde se fala em "recusar o pagamento de dívidas abusivas".

21.15 - "O FMI veio para Portugal mas veio pela sua mão", acusa Sócrates, referindo o chumbo do PEC 4 pelo BE (em conjunto com toda a oposição).

21.12 - Louçã explica necessidade de renegociar a dívida com a "tragédia" que se passa na Grécia. Diz inclusivamente que a medida começou a ser apoiada pelo "Economist", grande revista económica de referência em todo o mundo

21.09 - Não tendo o programa eleitoral do BE na mão, Sócrates ataca a moção subscrita por Louçã aprovada na última convenção bloquista, por causa da sua llinguagem (que inclui promessas de "derrotar a burguesia").

21.07 - Sócrates e Louçã recordam o frente-a-frente que tiveram há dois anos, onde Sócrates esmagou o líder do BE pelo facto de os bloquistas proporem o fim de todos os benefícios fiscais no IRS.

21.05 - Louçã ao ataque, como aliás desde o princípio: "No programa do PS não está a redução da Taxa Social Única" [acordada entre o Governo e a 'troika']

21.03 - Sócrates acusa Louçã de não ser "leal" por ir para o frente-a-frente sem que o programa eleitoral do BE seja conhecido.

21.00 - Sócrates diz que o compromisso do Governo com o FMI sobre a TSU é só "estudar" reduções". E volta a atacar o PSD por admitir descidas da TSU de 4 pontos percentuais.

20.56 - Louçã insiste que o Governo prometeu ao FMI uma "grande redução" da contribuição patronal para a Segurança Social. Sócrates responde: "Uma grande redução pode ser 1%".

20.55 - Sócrates diz que não disponível com grande descida da TSU. "É transferir impostos das empresas para impostos de todos."

20.54 - Louçã insiste: "Quanto é a grande contribuição patronal" para a Segurança Social alegadamente prometida pelo Governo ao FMI numa carta assinada pelo ministro das Finanças. Sócrates tenta interromper Louçã, Louçã não deixa.

20.52 - Sócrates responde sobre a Taxa Social Única (TSU). O que interessa é o que está escrito no memorando de entendimento acordado com a troika. Baixa da TSU será compensada com aumentos de receita ou diminuição despesa. E passa a atacar alegadas intenções do PSD para aumentar do IVA.

20.48 - Louçã ao ataque, interpela directamente Sócrates sobre promessas feitas ao FMI de uma "grande redução da contribuição patronal" para a Segurança Social (cinco mil milhões de euros, segundo o líder do BE).

20.46 - Francisco Louçã responde a Sócrates. "Devemos perguntar-nos o que nos trouxe aqui."

20.43 - Começou o frente-a-frente. Sócrates é o primeiro a falar.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG