O cavaquismo que se estendeu aos grandes negócios

Dias Loureiro, Oliveira Costa e Arlindo de Carvalho, figuras nos governos de Cavaco, seguiram os caminhos dos negócios sem se afastarem da política

O que têm em comum Dias Loureiro, Arlindo de Carvalho e Oliveira Costa? Todos eles integraram governos de Cavaco Silva. Após o fim do cavaquismo, tornaram-se empresários de súbito sucesso, sem nunca, com excepção de Oliveira Costa, se afastarem por completo da política. O BPN junta-os de novo, agora na condição de arguidos.

Dias Loureiro é uma das figura destacadas do cavaquismo. Amigo pessoal do político que deu origem a este "ismo" português, teve uma súbita ascensão no PSD. De discreto governador civil de Coimbra passa a secretário-geral do partido. Pouco depois, Cavaco convida-o para ministro dos Assuntos Parlamentares. No Governo seguinte, início da década de noventa, é ele o responsável pelo Ministério da Administração Interna.

Foi uma pasta difícil de gerir. O cavaquismo mostrava fissuras, irrompiam variados protestos na ruas. O mais célebre terá sido o longo bloqueio da Ponte 25 de Abril. E Dias Loureiro resolveu--o de forma musculada: a polícia de choque dispersou com inusitada violência milhares de manifestantes.

Nesse Governo, que a líder do PSD também integrou, o ministro da Saúde era Arlindo de Carvalho, agora arguido do caso BPN. Da área do cavaquismo é também José Oliveira Costa, o rosto do Banco Português de Negócios durante mais de uma década. A amizade com o Presidente da República vem do tempo em que os dois economistas trabalhavam no Banco de Portugal. Mais tarde, Cavaco convida-o para secretário de Estado dos Assuntos Fiscais.

Após o declínio do cavaquismo, a vida empresarial enlaça estes antigos membros do Governo. Aliás, a passagem pelo Executivo, com os muitos conhecimentos que a actividade governativa gera, terá facilitado o acesso ao restrito mundo dos grandes negócios. Oliveira Costa afasta-se da política; a Dias Loureiro a vida empresarial não o impede de continuar referência e a ter influência no partido e no País. O Presidente da República nomeou-o seu conselheiro de Estado, cargo que entretanto abandonou; na luta interna do PSD coordenou o programa de Marques Mendes, antigo colega de Governo, nas directas.

O agora empresário Arlindo de Carvalho, arguido no caso BPN, também esteve atento ao partido. Ao contrário do antigo ministro da Administração Interna, juntou-se a Luís Filipe Menezes na luta pela liderança.  Depois, com a saída de cena de Menezes, foi apoiante de Pedro Santana Lopes e, nos últimos tempos, tem sido dado como próximo de Passos Coelho.

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