Nuno Crato diz que estudo "esconde realidade" portuguesa

O ministro da Educação desvalorizou hoje os resultados de Portugal no relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), no qual surge como o país com maior taxa de obtenção de diplomas do ensino secundário.

Em declarações aos jornalistas, Nuno Crato sublinhou que a taxa de sucesso de 96 por cento dos alunos do secundário inclui o programa Novas Oportunidades, o que "inflacciona em muito os números". Para o ministro da Educação, o relatório da OCDE apresentado hoje em Paris "esconde a realidade" do país.

"Temos sido muito críticos em relação a distribuir diplomas porque isso não resolve os problemas do país. O que resolve é a formação", defendeu Nuno Crato no final de uma reunião de quatro horas com o Conselho Nacional de Educação.

O relatório "As Perspectivas da Educação 2011" mostra que a taxa de obtenção do diploma do secundário subiu 34 por cento de 2008 para 2009, colocando Portugal com a maior taxa de obtenção de diplomas do final do ensino secundário, apenas rivalizando com a Eslovénia.

"Estamos preocupados com a qualificação real dos portugueses", garantiu o ministro, lembrando que as Novas Oportunidades estão "em avaliação profunda".

Neste momento, os centros de Novas Oportunidades estão a ser avaliados "para tentar perceber a real empregabilidade dos centros", disse Nuno Crato, reconhecendo que "no programa existem coisas boas mas também coisas que foram feitas para as estatísticas".

"O programa 'Novas Oportunidades' foi lançado em 2005 para oferecer uma segunda oportunidade àqueles que interromperam os estudos numa idade precoce ou que estão em risco de o fazer, ou ajudar aqueles que já estão entre os [trabalhadores] activos mas desejam aumentar o seu nível de qualificações", sublinha o documento da OCDE, que refere que cerca de 35 por cento dos diplomados têm mais de 25 anos.

As Perspectivas da Educação 2011 apontam para um aumento "sensível" dos salários dos professores do primeiro ciclo do ensino secundário (após 15 anos de carreira) em Portugal, em percentagem do PIB por habitante, entre 2000 e 2009, ao contrário da tendência geral no espaço da OCDE.

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