Novos militantes do PSD são mais do dobro dos do PS

São jovens e homens aqueles que mais aderiram aos partidos desde as eleições de 2015. Sociais-democratas têm mais adesões que PS, CDS e Bloco de Esquerda juntos.

O PSD é o partido que mais novos militantes atraiu desde as eleições legislativas de outubro de 2015 até este mês de janeiro de 2017, num total de 8144 adesões, segundo dados revelados ao DN pelos partidos com assento parlamentar. Apesar de estar na oposição, o partido mais votado naquelas eleições regista um número de adesões bem superior a qualquer outra força partidária, somando mais do dobro dos novos militantes socialistas (no total, 3019), que parece não beneficiar do facto de ser o partido de governo. Por onde decrescente, o CDS (2910 adesões) e o BE (1693) são os partidos que se seguem.

A diferença do PSD para os outros partidos é de tal modo acentuada que o total de novos militantes socialistas, centristas e bloquistas são em menor número (7622) que o de sociais-democratas. O PCP apenas quantifica os seus militantes num período de quatro anos (o tempo entre congressos) ou em campanhas ou ações especiais de recrutamento, pelo que não é possível uma comparação temporal objetiva.

A política continua a ser um mundo de homens: são eles que mais aderem a todas as forças partidárias. E é entre os mais jovens que PSD, CDS e BE mais recrutam. No PS, o maior número de adesões verificou-se na faixa etária dos 31 aos 50 anos. A forte adesão ao PSD é explicada exatamente neste capítulo: o partido cativou 4754 jovens, dos 18 aos 30 anos, ou seja, mais do que os novos militantes de todos os outros partidos.

Fixemos os números sociais-democratas, de acordo com a informação avançada pelo secretário-geral do partido, José Matos Rosa, ao DN: os 8144 novos militantes, 4592 são do género masculino e 3552 do feminino. E aos mais de quatro mil jovens, o PSD somou nos últimos 15 meses 2053 adesões de pessoas entre os 31 e 50 anos, 1108 dos 51 aos 70 anos e 229 com mais de 71 anos.

O PS viu 1775 homens e 1244 mulheres aderirem ao partido. Do total de 3019 novos militantes socialistas, 707 têm até 30 anos, 1366 estão no intervalo dos 31 aos 50 anos, 657 dos 51 aos 64 anos e 289 com 65 anos ou mais. Na distribuição geográfica (informação que só PS, CDS e BE remeteram ao DN) é no distrito de Braga que se verificou o maior número de adesões (446), logo seguido da Área Urbana de Lisboa (425), do Porto (414), da Guarda (215) e dos Açores (207). No pólo oposto está a Federação Regional do Oeste com apenas 11 adesões e o círculo da emigração fora da Europa que se ficou pelas seis adesões.

O CDS registou 2910 novos militantes, em que 43% são mulheres e 57% homens. Os centristas usam também a percentagem para apresentar a distribuição muito equilibrada de aderentes por idades: 22% são jovens entre os 18 aos 25 anos; 21% estão entre os 36 e os 45 anos; 20% são dos 26 aos 35 anos; 18% dos 46 aos 55; 16% dos 56 aos 75 anos e 3% com mais de 76. Sem quantificar, o partido de Assunção Cristas registou mais admissões no eixo litoral que se estende a Norte, com o Porto à cabeça, depois Aveiro, Lisboa (a exceção neste mapa), Braga, Viana do Castelo e, por fim, já mais para o interior, Viseu.

O Bloco de Esquerda somou 1693 novas adesões desde 4 de outubro de 2015, em que os homens representam quase o dobro das mulheres - foram 1097 "eles" para 596 "elas". É até aos 30 anos que o BE melhor chega: 601 jovens aderiram ao partido. A faixa etária dos 41 aos 50 anos está representada com 315 adesões, dos 31 aos 40 foram 296 e dos 61 ou mais anos entraram 276 militantes. É entre os 51 e os 60 anos que o BE menos cativou, com 205 aderentes. Por círculos, Lisboa (com 409 adesões) e Porto (383) lideram, seguindo-se depois Setúbal (150) e Aveiro (139). Depois os números são todos abaixo dos 100, com Bragança a ser responsável por apenas 9 adesões (e o "Mundo" por 4).

O PCP em quatro anos viu o seu número de jovens diminuir, mas dos 5300 novos militantes entre 2012 e 2016, "mais de 69%" tinha "menos de 50 anos quando aderiram ao partido", segundo a informação revelada pelo Gabinete de Imprensa do PCP. Um intervalo etário que não permite de novo fazer uma comparação objetiva com os outros partidos.

De acordo com os dados do último Congresso, realizado em dezembro, os comunistas são 15% de militantes com menos de 40 anos (tinha 16% há quatro anos); 41% (eram 45%) têm entre 41 e 64 anos e 44% (eram 39%) mais de 64 anos. Dos mais de cinco mil novos militantes, o PCP registou 2127 "no âmbito da Campanha Nacional de Recrutamento", que decorreu entre janeiro de 2014 e abril de 2015. Pouco menos de 3200 pessoas aderiram ao partido nos restantes meses entre os congressos de 2012 e 2016.

O PEV não enviou dados em tempo útil de publicação e o PAN apenas pode indicar o número total atual de militantes, "mais de um milhar de filiados", apontando que "é apoiado por muitos jovens" e que uma "grande parte" do seu "eleitorado é constituído por mulheres".

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