Nóvoa: "Soldados rasos somos todos nós". E Jorge chegou à campanha de António por vídeo

Afinal o antigo presidente Sampaio gravou mensagem em vídeo. Sampaio da Nóvoa com pavilhão cheio no único comício de Lisboa

Mil e seiscentas pessoas empolgaram António Sampaio da Nóvoa, este domingo em Lisboa, num almoço-comício no Pavilhão do Casal Vistoso, com os olhos cada vez mais postos no Palácio de Belém, dizendo que a vitória ao seu alcance "a 24 de janeiro", e se não for no próximo domingo será a 14 de fevereiro, numa segunda volta.

Com um discurso carregado de críticas a Marcelo Rebelo de Sousa, Nóvoa insistiu que o seu programa é a Constituição, para defender que todos são iguais perante a lei, e não "o país dos mesmos rostos de sempre, que se perpetua na política e no poder mediático". O antigo reitor notou que há "um outro país, com todos aqueles que independentemente do que deram e dão à causa pública se deveria limitar, ouvi-o dizer, à condição de soldados rasos! Soldados rasos? Mas soldados rasos somos nós todos!", disse, recuperando a frase que o candidato apoiado pelo PSD e CDS lhe atirou no debate na televisão.

Num outro remoque a Marcelo, "um candidato" que nem precisou de nomear, defendeu que "numa República não haverá entronizados à partida, nem príncipes herdeiros, nem ungidos pela fama".

Para Nóvoa, "numa República tem de haver sempre uma hipótese de renovação. Uma política em circuito fechado não nos serve, não serve a nenhum de nós. Não nos conseguirão excluir da nossa vida política, do nosso compromisso com a República, da nossa responsabilidade republicana".

Lembrando o tempo em que trabalhou na Casa Civil da Presidência de Jorge Sampaio, Nóvoa disse ter estado "em Belém a trabalhar". "Não estive a comer vichyssoise ou sopas frias", afirmou.

O antigo Presidente da República, de 76 anos, não pôde estar presente por motivos de saúde, como o próprio indicou, por estar impedido de sair de casa por indicação médica, segundo a organização. Jorge Sampaio apontou a "independência" de António Sampaio da Nóvoa como "decisiva para ajudar a efetivar uma aliança entre o Estado democrático e as forças mais dinâmicas, mais empreendedoras e mais criativas da sociedade e da economia portuguesas, sem a qual não será possível vencer as resistências à mudança que nos precipita na rampa da crise e do declínio".

Jorge disse ainda de António que é essa independência que ajudará a combater o "Estado demasiado vulnerável face aos interesses burocráticos, corporativos e clientelares instalados".

Em dia de casa cheia, foram muitos os "notáveis" que apareceram ao lado de Nóvoa, desde Ramalho Eanes e Manuela Eanes ao ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes, que também discursou; a cantora Teresa Salgueiro que é a sua mandatária nacional; o constitucionalista Jorge Miranda; o antigo líder da CGTP, Carvalho da Silva; os vereadores de Lisboa Duarte Cordeiro e João Afonso; os deputados Pedro Delgado Alves, Isabel Moreira, Jorge Lacão, Elza Pais e Edite Estrela; a jornalista e viúva de José Saramago, Pilar del Rio; o histórico socialista Edmundo Pedro; o fundador do Livre, Rui Tavares; as atrizes Maria do Céu Guerra e Sandra Barata Belo; ou o filósofo Eduardo Lourenço, entre muitos outros.

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