Ainda não há data de abertura. "É um projeto de muitos anos"

Nova Feira Popular vai ser em Carnide. Mas ainda não se sabe quando abre. "Este não é o momento para apresentar um calendário"

Carnide foi a zona escolhida para acolher a nova Feira Popular de Lisboa. Fernando Medina, presidente da câmara de Lisboa, revelou esta manhã que o novo espaço terá uma área de 20 hectares - quatro vezes maior que a antiga feira, em Entrecampos - e que será desenvolvido de forma faseada.

Fernando Medina afirmou que até agora foi feito um investimento de 11,5 milhões de euros na aquisição de parte do terreno. "Vai ser maior, melhor, integrada num amplo espaço verde", garantiu, realçando que "a terceira casa da feira vai permitir a reabilitação de uma zona da cidade que estava a necessitar dessa reabilitação".

A proximidade de uma grande superfície comercial, neste caso o Centro Comercial Colombo, terá sido um dos fatores que mais pesaram na decisão. A nova Feira Popular que será instalada na "zona imediatamente contígua à estação de metro da Pontinha", portanto com metro (linha azul) e autocarros à entrada, com acessos à Segunda Circular, à CRIL e ao IC19, fica a cinco minutos do Colombo.

Este não vai ser só um local de divertimento, vai ser um grande parque de lazer com 20 hectares, quatro vezes maior.

E quando abre a nova feira? Fernando Medina diz que "este não é o momento para determinar e apresentar um calendário". O autarca admitiu, no entanto, que este "é um projeto que se vai desenvolver ao longo de muitos anos" e que "demorará muito tempo a ser concretizado na totalidade".

Vamos fazer tudo para que, gradualmente, venha a ser de usufruto da cidade e dos lisboetas

O presidente da Junta de Freguesia de Carnide, Fábio Sousa, realçou esta manhã, em declarações à TSF que seria necessário salvaguardar as necessidades de espaço de estacionamento e transportes públicos, assim como garantir que não haverá incómodo ao nível de ruído para os residentes.

Fernando Medina garantiu que haverá uma articulação entre a Câmara, a junta de freguesia e a Associação de moradores de Padre Cruz para a concretização deste projeto e valorização dos seus elementos positivos. O autarca deseja que haja "harmonia com os residentes" e lembra que a Feira Popular será "uma enorme mais valia para o seu desenvolvimento".

Dentro de poucas semanas, haverá uma sessão pública sobre a Feira Popular, na qual será lançada uma campanha para recolha de ideias.

O modelo de negócio também ainda não está fechado, devendo ser apresentado em breve em reunião de câmara.

Fábio Sousa adiantou que a Junta de Freguesia foi "envolvida e ouvida" no processo de escolha da localização da nova Feira Popular e que impôs algumas condições.

Queremos receber a Feira Popular, mas também queremos ver salvaguardados alguns constrangimentos aos moradores, como o ruído, mobilidade, transportes e trânsito

O presidente da Junta assegurou que vai ser "muito exigente", porque quer "continuar a dar condições a quem reside e trabalha em Carnide".

O que se passou desde 2003

A Feira Popular foi criada inicialmente para financiar férias de crianças carenciadas e, mais tarde, passou a financiar toda a ação social da Fundação O Século.

Nasceu a 10 de junho de 1943, na Palhavã, junto à atual Praça de Espanha. Em 1961 mudou-se para Entrecampos, que foi sempre espaço provisório da Feira. Encerrou em 2003 e nunca mais Lisboa voltou a ter um parque de diversões.

"Não procuramos um parque de diversões. Procuramos a terceira casa da Feira Popular", diz Fernando Medina, contando que o projeto, feito por técnicos da autarquia e uma equipa de consultores internacionais, resulta do estudo "daquilo que melhor se faz nessa Europa fora".

Os terrenos da antiga Feira Popular, localizados em Entrecampos, estiveram na origem de um processo judicial que envolveu a Câmara de Lisboa e a empresa Bragaparques, que se arrastou por vários anos.

Quando a Feira Popular abriu para a última temporada, a Câmara de Lisboa, então presidida por Pedro Santana Lopes, tencionava criar um novo parque de diversões e reabilitar o Parque Mayer, mas a ideia nunca avançou.

Foi em janeiro de 2014 que António Costa, então presidente, anunciou ter chegado a acordo com a empresa de Domingos Névoa sobre os terrenos da Feira Popular e do Parque Mayer, pagando à Bragaparques cerca de 101 milhões de euros pela aquisição.

O objetivo do atual Executivo camarário passava por alienar os terrenos de Entrecampos por um valor base de 135,7 milhões, mas no passado dia 19 de outubro a Câmara de Lisboa anunciou não ter recebido "qualquer proposta" de interessados nos terrenos da antiga Feira Popular.

A autarquia avançou então para uma segunda fase, que previa um prazo de 45 dias para que sejam apresentadas novas propostas para aquisição dos terrenos em hasta pública. As ofertas terão de chegar à Câmara até ao dia 3 de dezembro.

Fernando Medina não quis hoje falar sobre este processo, mas garantiu que não terá qualquer influência no desenvolvimento da nova Feira Popular.

O espaço em Entrecampos tem reaberto, nos últimos cinco anos, para celebrar o Natal. Este ano, essa feira, com circo, diversões e restauração, será em Alcântara.

António Costa tinha prometido criar uma nova Feira Popular, mas sem nunca adiantar os espaços possíveis.

Ao longo dos últimos anos, várias alternativas tinham sido apontadas, nomeadamente o Parque da Bela Vista, Monsanto ou o Jardim do Tabaco.

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