Nova comissão da CGD não pode servir para "esconder responsabilidades"

Catarina Martins reafirmou que é preciso explicarem "como é que nós chegámos a esta situação na Caixa, quem são os responsáveis"

A coordenadora do BE avisou hoje que a nova comissão de inquérito sobre a Caixa Geral de Depósitos não pode servir para "esconder responsabilidades" que estão a ser apuradas na comissão em curso e que podem ser "desconfortáveis".

"O que nós desejamos e aquilo para que trabalharemos é para que não sirva a nova comissão para tentar esconder responsabilidades que estavam a ser apuradas na anterior e que talvez sejam desconfortáveis", disse a coordenadora do BE, Catarina Martins, em declarações aos jornalistas no final de uma visita à Galeria Pública de Arte Urbana, no Bairro Padre Cruz, em Lisboa.

A nova comissão de inquérito sobre a Caixa Geral de Depósitos (CGD) toma hoje posse e quer esclarecer, no prazo de quatro meses, a atuação do atual Governo na nomeação e demissão da anterior administração do banco público.

Atualmente, está em funcionamento uma comissão de inquérito, constituída ainda na anterior sessão legislativa, que se debruça sobre a gestão da CGD desde o ano 2000 e sobre os motivos que estão na origem da necessidade de recapitalização do banco público.

Sublinhando que o BE "tem colaborado em todas as comissões de inquérito com muito empenho", Catarina Martins recordou que PSD e CDS-PP tentaram inicialmente levar à primeira comissão de inquérito matérias que estavam fora do seu objeto e, portanto, não foram admitidas.

Por isso, acrescentou, sociais-democratas e democratas-cristãos tentam agora ter uma comissão de inquérito com o objeto daquilo que "queriam verdadeiramente conhecer".

"O BE, que terá todo o empenho na nova comissão de inquérito, não esquece a comissão de inquérito em curso e a comissão de inquérito em curso é muito importante", vincou a coordenadora do BE, alertando que neste momento está em marcha um processo de recapitalização à CGD, "que vai implicar milhares de milhões de euros aos contribuintes e a comissão de inquérito que está em curso e que ainda não teve conclusões".

"É aquela comissão de inquérito que nos deve explicar como é que nós chegámos a esta situação na Caixa, quem são os responsáveis, para conhecermos tudo o que se passou e podermos responsabilizarmos quem deva ser responsabilizado", sublinhou.

Assim, continuou, o BE terá "todo o empenho" para que "a nova comissão de inquérito não sirva para que PSD e CDS tentem enterrar as conclusões da comissão de inquérito em curso, que são muito preocupantes", tanto sobre responsabilidades de administrações ainda na altura do Governo Sócrates, como sobre o processo durante o Governo Passos Coelho/Paulo Portas, em que "a recapitalização que devia ter sido feita não foi feita, houve administradores que se demitiram por isso mesmo e houve decisões desastrosas de venda de ativos da CGD".

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