Notícias de encerramento de urgências pediátricas são "grave mentira" e ofensa pessoal, diz a ministra

A ministra da Saúde considerou hoje uma "ofensa" à sua pessoa e "uma grave mentira" as notícias do encerramento de urgências pediátricas em Lisboa, argumentando que sempre defendeu que as crianças devem ser vistas em serviços próprios.

"Aquilo que é hoje publicado no Correio da Manhã (CM) é lamentável, porque é pura mentira e eu considerei uma ofensa à ministra da Saúde", afirmou hoje Ana Jorge aos jornalistas durante uma visita às urgências do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa. Segundo aquele jornal, "alguns hospitais da Grande Lisboa - Dona Estefânia, Santa Maria, Amadora-Sintra, São Francisco Xavier e Garcia de Orta - poderão vir a encerrar em breve as urgências pediátricas devido à falta de pediatras que assegurem o serviço".

A ministra lembrou que durante toda a sua carreira como médica pediatra, "de quase 40 anos", sempre defendeu que "as crianças são vistas em serviços próprios com condições especiais, separadas dos adultos e é isso que se mantém neste país". Ana Jorge recordou que em Junho do ano passado foi publicado um despacho "a dizer que as crianças e jovens até aos 18 anos são atendidas em locais próprios e que os hospitais que têm serviço de pediatria e urgência se devem organizar para criar essas mesmas condições".

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...