15 secundárias há 5 anos entre as que mais inflacionam as notas

São 13 as escolas que dão notas abaixo dos exames desde 2010-2011. Valorização de componentes explica diferenças

Há cinco anos que 15 escolas (públicas e privadas) estão no grupo das que mais inflacionam as notas internas em relação aos resultados dos alunos nos exames. O indicador de alinhamento das duas classificações atribuídas aos alunos mostra também que existem outras 13 secundárias que dão notas mais baixas do que as alcançadas nos exames desde 2010-2011.

O desalinhamento - tanto para cima como para baixo - tem sido contestado por poder ser um fator de desigualdade para os alunos no acesso ao ensino superior. Beneficiando-os (no caso das notas internas mais altas) ou prejudicando-os (nas notas mais baixas) na média de acesso, em relação aos restantes alunos a nível nacional.

Veja em que lugar está a escola dos seus filhos

Mais malvistas, com fama de facilitadoras, ficam as escolas que estão entre as 10% que por regra apresentam um desvio maior, dando notas internas mais altas do que as registadas pelos outros alunos a nível nacional com a mesma nota de exame. No entanto, quem faz parte da lista garante que este é um indicador redutor. A Secundária Júlio Dinis, em Ovar, (318.º lugar no ranking) está neste grupo e defende que o indicador divulgado pelo Ministério da Educação no portal Infoescolas deve revelar não só as mais e menos desalinhadas, mas também quantificar esse desvio.

A direção do agrupamento garante que são cumpridos todos os critérios de avaliação e que "os valores obtidos nas disciplinas do ensino secundário, na classificação interna, estão alinhados com a média nacional". O diretor Nuno Gomes sublinha ainda que "não se pode pedir às escolas que construam o seu projeto educativo com recurso aos conceitos de autonomia e de proximidade à sua comunidade educativa e depois se pretenda implementar um valor médio de referência de classificação interna onde se catalogam as escolas com base em dados parcelares".

Enquanto a diretora da Secundária Dr. Manuel Laranjeira (198.º lugar), em Espinho, lembra que o secundário é escolaridade obrigatória e que a missão da escola é também "permitir que os alunos consigam concluir o 12.º ano com sucesso". Ana Gabriela Moreira acrescenta que para isso se valorizam os conhecimentos (entre 80% e 90% da nota), mas também as atitudes e os projetos em que os alunos participam (10% a 20%).

As que entram na média

Existem também casos de escolas e colégios que tradicionalmente ficavam acima e que este ano acabaram a entrar na média. É exemplo disso a Secundária Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão. Nos últimos quatro anos ficou sempre entre as 10% mais desalinhadas para cima (ou seja, notas internas mais altas do que as outras escolas com a mesma média de exame) e este ano ficou alinhada com a média nacional.

O diretor Carlos Teixeira explica este alinhamento com a aposta da nova direção na preparação para os exames nacionais. "Privilegiámos as aulas de preparação para o exame e durante todo o ano oferecemos essa preparação aos alunos, que de forma sistemática frequentam esse reforço. Por isso, o que aconteceu foi que subiu a nota de exame, nomeadamente a Matemática e Física e Química, e não mudámos nada na avaliação interna", aponta.

No caso do Colégio Mira Rio (23.º no ranking), esse aproximar da média nacional é apenas "resultado das variações normais das notas de exame e não de uma estratégia para subir ou baixar notas", refere a diretora Ana Teixeira Dias.

"Forretas" dão notas mais baixas

Se as escolas mais desalinhadas para cima são acusadas de facilitismo, as que dão notas abaixo dos exames são acusadas de demasiado exigentes e de prejudicarem os alunos que ficam com pior média final. "Somos mais forretas", brinca o diretor do agrupamento de Benfica, Manuel Esperança. A sua Secundária José Gomes Ferreira até não está mal colocada no ranking (46.º lugar), mas nos últimos cinco anos os alunos têm tido notas inferiores às dos seus colegas a nível nacional. "Ficava mais preocupado se fosse ao contrário. A avaliação interna é mais do que uma nota num exame, que pode ser preparado em explicações, inclui o comportamento e a participação."

A mesma defesa é feita pelo Colégio Salesiano do Estoril (19.º no ranking), que considera esta classificação "injusta e redutora", admitindo a diretora pedagógica, Paula Cristina Baptista, que coloca a escola "numa posição desconfortável relativamente aos nossos alunos e respetivos encarregados de educação".

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG