Vale de Cambra perde duas das nove freguesias

A Assembleia Municipal de Vale de Cambra aprovou na segunda-feira à noite o novo mapa do concelho, que, no âmbito da reforma administrativa, passará de nove para sete freguesias, alargando geograficamente aquela que hoje acolhe a respetiva cidade.

A decisão que agrega Vila Cova de Perrinho e Codal a Vila Chã surge depois de os presidentes de Junta das freguesias anexadas terem impugnado em setembro uma deliberação no mesmo sentido por considerarem que, mesmo já tendo sido aprovada a proposta que se revelara vencedora, a Mesa também teria que sujeitar a votação as outras sugestões discutidas na mesma sessão, mesmo que essas contradissessem a primeira.

"Já não há, neste momento, nenhuma mácula sobre a democracia nesta Assembleia", disse no final da sessão extraordinária de segunda-feira Manuel Carvalho, que preside à Mesa da Assembleia pelo PSD.

Vila Chã é a freguesia que acolhe a cidade de Vale de Cambra, e passará assim a acolher também os territórios de Vila Cova de Perrinho, que se distingue pela sua oferta industrial, e Codal, que, como realçou o respetivo presidente de Junta, Manuel Campos, é "a segunda freguesia do concelho em termos de exportações e faturação".

A união das três localidades só foi possível, contudo, depois de a freguesia de Macieira de Cambra ter cedido uma faixa do seu território a Vila Chã, para assegurar a linha de continuidade física entre essa e Vila Cova de Perrinho.

Aprovado por maioria dos deputados sociais-democratas, o novo mapa de Vale de Cambra resulta da proposta da Comissão Municipal de Acompanhamento da Reforma Administrativa, que inicialmente integrava um elemento de cada partido representado na Assembleia (PSD, CDS e PS), mas que veio depois a perder o representante dos populares, que se retirou da estrutura por esta não incluir o chefe do Executivo camarário, o presidente da Mesa da Assembleia e os presidentes de Junta das nove freguesias em causa.

Manuel Domingos, do PSD, realçou que, não vindo a Lei 22/2012 a ser declarada inconstitucional, a atual solução é a que representa para o município o mal menor: "Em vez de serem agregadas cinco freguesias [pela Unidade Técnica da Reforma], são agregadas só duas".

Almerindo Santos, presidente da Junta de Vila Cova de Perrinho, lamentava, contudo, a extinção da sua freguesia, embora deixando uma garantia ao autarca de Vila Chã, que a absorve: "Vou-lhe passar a pasta sem dívidas nenhumas".

O autarca de Vila Cova defendeu que os deputados que aprovaram o novo mapa do concelho, juntamente com os governantes que decretaram a obrigatoriedade da reforma nos moldes em que atualmente se apresenta, "vão ser os coveiros das freguesias".

"Valha-nos o Tribunal Constitucional ou a queda do Governo, e que o povo tenha dó e lhes perdoe", disse.

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