Trabalhadores voltam à rua para contestar reprivatização

Os trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) voltam a sair à rua esta segunda-feira em protesto contra a reprivatização da empresa, ação que deverá envolver também a população.

"Temos grandes expectativas porque as pessoas, os trabalhadores, as famílias, estão todos muito preocupados com o futuro de uma empresa que sempre foi um baluarte da economia da região", explicou à agência Lusa o coordenador da comissão de trabalhadores.

O protesto está marcado para as 10:00, com a saída da empresa dos 630 trabalhadores, em direção ao centro da cidade.

"Não serão apenas trabalhadores, mas também os nossos reformados, que não sabem o que vai acontecer à empresa, e a população, que sentimos estar ao nosso lado nesta luta", acrescentou António Costa.

Em pouco mais de um ano será o terceiro protesto de rua tendo os restantes mobilizado centenas de pessoas.

A 04 de outubro, representantes dos trabalhadores deslocam-se ainda a Lisboa, para assistir, na Assembleia da República, à apreciação parlamentar, pedida pelos deputados do PCP, do decreto-lei que deu início ao processo de reprivatização da empresa.

"Para ver o comportamento dos deputados eleitos por Viana do Castelo, se irão estar ao lado dos ENVC", afirmou ainda o representante dos trabalhadores.

O Conselho de Ministros definiu quatro potenciais investidores finais - de Portugal, Brasil, Noruega e Rússia - para a alienação do capital social dos ENVC, empresas que devem apresentar as propostas vinculativas até 12 de outubro.

O "preço vinculativo apresentado para a aquisição das ações representativas do capital social" dos ENVC é um dos critérios de seleção da venda de 95 por cento do capital social, que será alvo de "venda direta de referência", neste processo de reprivatização.

O capital social dos estaleiros é composto por 5,950 milhões de ações, detidas totalmente pela Empordef - holding pública para as indústrias de Defesa -, com um valor nominal, cada, de cinco euros, o que perfaz um total de 29,9 milhões de euros.

A "salvaguarda dos interesses patrimoniais do Estado", nomeadamente no que respeita aos "fluxos financeiros" decorrentes do processo de venda e a "idoneidade, capacidade financeira, técnica e de execução" dos proponentes, são também condições de seleção neste processo.

A apresentação de um "adequado projeto estratégico", tendo em vista o "desenvolvimento das suas atividades nos mercados nacional e internacional", que "maximize a manutenção dos atuais recursos humanos" e contribua para a "manutenção da identidade empresarial e do atual património da empresa e para a sustentabilidade económico-financeira" dos ENVC são também condições estabelecidas no caderno de encargos.

O Governo prevê concluir a alienação da totalidade do capital social dos ENVC até final do ano.

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