TGV: Câmara de Ponte de Lima vai "combater" traçados

O presidente da Câmara de Ponte de Lima garantiu hoje que o Município irá "combater" os traçados previstos para a passagem pelo Concelho do comboio de alta velocidade, por serem "muitos maus" em termos ambientais e sociais.

"Iremos combater [os dois traçados] mas de uma forma correcta, devidamente fundamentada do ponto de vista técnico e não com levantamentos populares", afirmou Victor Mendes.

"Os dois traçados são muito maus do ponto de vista ambiental e social", acrescentou.

O autarca falava no decorrer de uma sessão de esclarecimento sobre o troço Braga-Valença do comboio de alta velocidade (vulgo TGV), que juntou técnicos da Rede de Alta Velocidade (RAVE) e do Instituto de Promoção Ambiental.

"Ponte de Lima é um concelho solidário com o desenvolvimento do País mas não pode ser tão fortemente prejudicado", acrescentou Victor Mendes.

Para o Concelho de Ponte de Lima estão em cima da mesa dois traçados: um a poente, que tem 28 casas "no caminho", e outro a nascente, com 52 casas.

A Câmara fala ainda em impactos negativos para o ambiente, nomeadamente para a Área Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro d'Arcos, e para as 22 freguesias que serão atravessadas pela linha de alta velocidade, que estão sujeitas a toda uma série de restrições de construção de habitações ou de instalação de empresas.

"Queremos ser parte da solução, queremos ajudar a escolher o melhor traçado", disse ainda o presidente da Câmara de Ponte de Lima.

Carlos Fernandes, da RAVE, sublinhou a preocupação em minimizar os impactos do traçado, lembrando que, no Concelho de Ponte de Lima, dos 22 quilómetros de extensão total da linha, 7,5 serão em túnel.

Actualmente em fase de consulta pública da avaliação de impacte ambiental do estudo prévio, o troço Braga-Valença integra a ligação Porto-Vigo, que estará concluída em 2015 e que custará 1,4 mil milhões de euros.

A avaliação de impacte ambiental deverá estar terminada no final do primeiro trimestre de 2010, após o que será escolhido um dos traçados, para que seja elaborado o respectivo projecto de execução.

A viagem entre Porto e Vigo, que actualmente demora três horas e 15 minutos, passará a ser feita em uma hora, com comboios que circularão a 250 quilómetros/hora e com tráfego misto (passageiros e mercadorias).

Em Braga, terá de ser construída uma nova estação, uma vez que, como explicou Carlos Fernandes, o aproveitamento da actual teria "custos incomportáveis e impactos muito, muito negativos, devido à sua localização".

"Tentámos aproveitar a actual estação mas concluímos que era praticamente impossível", acrescentou.

A estação para a alta velocidade ficará a "um quilómetro ou 1,5 quilómetros" da actual.

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