Recolha seletiva porta a porta é "uma aposta ganha"

O projeto de recolha seletiva porta a porta implantado na Maia há cerca de um ano "é uma aposta ganha", com taxas de recolha de materiais recicláveis que superaram "as melhores das expectativas", apesar da retração do consumo das famílias.

O projeto, implantado no concelho desde novembro de 2012, colocou a Maia "em contraciclo" no que diz respeito a recolha de resíduos valorizáveis, com aumentos no volume de recolhas de embalagens/plásticos de 61%, de papel/cartão de 25% e de vidro de 36%, face a igual período do ano anterior, afirmou à Lusa Carlos Mendes, diretor da Maiambiente, Empresa Municipal.

"É justo concluir que os resultados estão até para além das melhores expectativas que tínhamos formulado antes do projeto ter arrancado", sublinhou Carlos Mendes, enaltecendo o facto de, na Maia, o resultado alcançado ser já superior à meta da reciclagem 'per capita' que o país tem de cumprir em 2020, definida em 47 quilos por habitante/ano.

Entre janeiro e novembro, a Maiambiente recolheu 53.203 toneladas de resíduos produzidos pelos cerca de 135 mil habitantes, verificando-se uma diminuição de 3,9% face a igual período de 2012, mas nos resíduos valorizáveis -- que representam cerca de um terço dos resíduos recolhidos - o aumento foi de 12,4%.

Assim, o projeto de recolha seletiva porta a porta "é uma aposta claramente ganha", sendo certo que "quando os munícipes têm condições para participar na reciclagem, fazem-no", sustentou o responsável.

Aquando da extensão do projeto a todo o concelho, que teve como objetivo "uniformizar o modelo de recolha", a Maiambiente esperava um "crescimento moderado" no volume de materiais valorizáveis recolhidos, tendo em conta "o contexto de crise económica, a redução do consumo, a disponibilidade financeira das famílias", contudo, este "foi muito elevado".

A empresa municipal encontra-se ainda a ultimar a otimização do sistema, designadamente dos "circuitos, frequências de recolha, rotas e horários", mas tem em vista testar em 2014 a implementação do princípio do poluidor-pagador, ou seja, "indexar o custo do serviço à quantidade de material que é produzido e à sua separação ou não", disse.

Carlos Mendes adiantou que a Maiambiente está já envolvida com a Lipor -- Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto, num projeto-piloto que "vai testar várias formas de cálculo dessa hipotética tarifa indexada à produção de resíduos".

"Essa tarifa tem por objetivo premiar quem mais participar no processo da reciclagem, porque, sendo verdade que o projeto de recolha seletiva porta a porta tem impactos muito positivos ao nível ambiental e social, queremos que tenha também impactos em termos económicos junto de quem participa nele", sustentou.

Segundo o responsável, o serviço terá sempre um custo mínimo, porque envolve pessoas, viaturas, investimentos fortes e custos fixos que não se conseguem eliminar", mas "é preciso que quem participa sinta estímulos do ponto de vista económico".

O plano de atividades da Maiambiente para 2014 prevê também a recolha seletiva porta a porta de resíduos orgânicos, bem como de "pequenos resíduos perigosos", como colas e tintas, "que hoje acabam por ir parar aos aterros ou valorização energética".

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