Porto avança com banco de células reprodutivas

Centro Hospitalar já recebeu aval de Conselho Nacional. Fica a faltar apenas       a autorização do Ministério para apoiar a recolha de espermatozóides e ovócitos de dadores

O primeiro banco público de esperma e óvulos já foi aprovado pelo Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA) e situa-se no Centro Hospitalar do Porto. Milhares de casais podem vir a beneficiar com este banco, que espera apenas luz verde do Ministério da Saúde. De acordo com o presidente do Conselho, Eurico Reis, "estão criadas as condições para avançar com a recolha de células de dadores para serem usadas em casais inférteis".

Joana Guimarães, directora do Centro de Medicina da Reprodução do centro hospitalar, calcula que "10% a 15% dos casais inférteis necessitem destas células de dadores terceiros". Até agora, isso só era possível através de importação de células ou do recurso ao sector privado, que deixava muitos casais de fora por estarem impossibilitados de gastar milhares de euros em tratamentos.

A médica disse ao DN que já há aval da administração do hospital e do conselho. "A Administração Regional de Saúde do Norte parece que está interessada em avançar".

No entanto, o banco de recolha, selecção e criopreservação de gâmetas implica custos muito elevados além dos eventuais pagamentos a dadores. O CNPMA definiu recentemente o pagamento máximo de 628 euros às dadoras e de 42 euros aos dadores, mas o Ministério da Saúde ainda não aprovou uma tabela. O DN não teve uma resposta da tutela sobre o banco até à hora de fecho. O Bloco de Esquerda também já enviou uma recomendação ao Governo com vista à criação do banco.

Joana Guimarães destaca os custos associados ao rastreio, testes genéticos e outros exames, que são feitos a todos os dadores. "No caso dos homens, sabemos que só 10% dos dadores serão seleccionados." Mas o investimento compensaria os gastos despendidos com a importação. No início, o projecto avançaria com gâmetas masculinas , porque "a recolha não necessita dos mesmos recursos".

Mal haja luz verde, o projecto arrancará com "o programa de recrutamento. Vamos divulgar informação e contactar as universidades para angariar dadores. É o local indicado porque estamos perante jovens saudáveis. Também faremos o mesmo quando avançarmos na recolha de ovócitos". Numa primeira fase, "já não seria mau se conseguíssemos 20 dadores, porque aí teríamos 200 candidatos. Mas as pessoas têm de se habituar à ideia".

Eurico Reis, que assinou recomendações no sentido da criação da unidade, refere que "o ideal seria ter dois bancos em locais diferentes, sobretudo por causa das dadoras, que têm de se sujeitar a processos invasivos para extracção de óvulos, o que dificulta deslocações".

O pagamento preocupa Calhaz Jorge, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução. "Apesar de o centro já ter condições e equipamentos, não sei se haverá verbas para avançar. Mas temos esperança." Alberto Barros, que ajudou a fundar um centro que agora está no São João, e Filomena Gonçalves, da Associação Portuguesa de Fertilidade, congratulam-se com a aprovação de uma solução que tem beneficiado centenas de casais, mas que deve crescer assim que haja uma oferta alargada.

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