Penhora encerra gráfica responsável por 100 jornais

O Tribunal de Oliveira de Azeméis penhorou equipamento da gráfica Coraze, que, sendo uma das firmas do empresário Eduardo Costa, provável contumaz num processo-crime por cheques sem provisão, encerrou esta semana a sua unidade de impressão.

A penhora deu-se no âmbito do processo de insolvência da Coraze, que, embora reconhecida por um credor de outra firma de Eduardo Costa como uma gráfica "responsável por uns 100 jornais, cheia de trabalho e a dar lucro", não terá tido liquidez "suficiente para tapar o buraco das outras empresas todas que ele foi criando - sempre com nomes novos para substituir os que começavam a dar problemas". O ex-funcionário de Eduardo Costa prefere não ser identificado com receio de ver atrasar-se ainda mais o pagamento dos salários que a gráfica Digitaze lhe tem em dívida, mas, em declarações a propósito do seu antigo patrão - que também já foi administrador do diário Primeiro de Janeiro e do grupo editorial Folha Cultural - afirmou à Lusa: "As empresas dele sempre foram tendo umas penhoras de tempos a tempos, mas, se calhar, agora isto rebenta de vez".

Segundo esse ex-trabalhador da Digitaze, Eduardo Costa "tinha empresas em moradas onde não havia ninguém lá dentro e que nunca funcionaram um dia sequer". Sobre o arresto do equipamento de impressão da gráfica Coraze, o mesmo funcionário observa que, "mesmo penhorando aquilo tudo, o valor das máquinas não deve ser suficiente para pagar as dívidas todas do Eduardo Costa". "O mais provável", defende, "é que não chegue sequer para pagar os salários que ele deve ao pessoal, tantas são as pessoas que ainda estão à espera do dinheiro delas". No Tribunal Judicial de Oliveira de Azeméis, o processo relativo ao crime de emissão de cheques sem provisão por parte de Eduardo Costa deu entrada em junho. O paradeiro do arguido continua por apurar, mas, de acordo com o que confirmou hoje fonte do mesmo tribunal, "ainda está a decorrer o período durante o qual esse se pode apresentar em juízo", sendo que, uma vez terminado esse prazo, o empresário deverá ser declarado contumaz.

Também no Tribunal de Gondomar, mas aí tendo já indicado uma morada e estando sujeito a termo de identidade e residência, o mesmo empresário é coarguido num processo-crime por dívidas ao Fisco, num montante superior a dois milhões de euros. Fonte da Coraze confirmou à Lusa que, devido a uma carteira de clientes que inclui cerca de 100 jornais de todo o país, o encerramento da sua unidade de impressão obrigou a mudanças na edição em papel desses títulos. Grande parte deles passou assim a ser impressa na gráfica do Diário do Minho, sem que a empresa de Oliveira de Azeméis tenha disso informado, aliás, os seus próprios clientes, como corroborou fonte de um dos semanários em causa. A Lusa contactou vários telefones atribuídos a Eduardo Costa, mas em nenhum deles obteve resposta. Os responsáveis da Coraze, por sua vez, não quiseram prestar declarações sobre o assunto.

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