Padre recusa comunhão a jovem por causa de roupa

O pároco de Valpaços, Manuel Alves, não deixou comungar uma jovem de 16 anos, durante uma eucaristia matinal na Igreja Matriz, alegando que a roupa que vestia não era adequada para levar à missa.

Liliana Mairos, residente em Valpaços, explicou à Agência Lusa que foi à missa, na passada terça-feira, vestida de forma "totalmente normal" com calças de ganga, uma camisola de alças e um casaco. "Só se me via o tórax", referiu.

"O padre, em voz alta e diante de todas as pessoas, disse-me se não tinha um colete para tapar os peitos e recusou-se a dar-me a comunhão", contou.

No fim da eucaristia, a madrinha da jovem foi falar com o sacerdote sobre o sucedido, mas o padre respondeu-lhe para ir ver "os preparos" em que a afilhada foi à missa.

Liliana Mairos e a família garantiram à Lusa que enquanto o padre Manuel Alves, de 80 anos e sacerdote há 57, continuar em Valpaços "nunca mais" vão à eucaristia.

Os pais, indignados com a situação, enviaram uma carta ao bispo da Diocese de Vila Real, Amândio Tomás, a relatar a situação e pedir esclarecimentos.

Na missiva, a que a Lusa teve acesso, a família da jovem questionou o bispo sobre "qual, afinal, é o dever de um padre dentro da igreja?".

Questionado sobre a recusa da hóstia à jovem, o pároco de Valpaços, Manuel Alves, afirmou que Liliana estava vestida de forma "indecente", não querendo prestar mais declarações.

A Agência Lusa tentou falar com o bispo de Vila Real, Amândio Tomás, sem êxito.

Em 2010, depois de o Presidente da República, Cavaco Silva, ter promulgado a lei do casamento homossexual, Manuel Alves ausentou-se no dia seguinte, sem avisar a população, e esteve uns dias sem rezar a eucaristia.

Em 2007, o padre desligou o relógio da Igreja Matriz durante um mês e ameaçou que só voltaria a ligá-lo quando fosse encerrado um bar de Valpaços onde, segundo ele, "desfilariam mulheres nuas".

No adro da Igreja Matriz de Valpaços não é permitido estacionar automóveis, mas o padre insiste em infringir a lei, sendo multado pela GNR.

Por isso, durante a missa, o sacerdote terá dito que iria "cortar relações" com a instituição e não enterraria os militares como forma de protesto.

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