Ondas na Foz do Porto podem repetir-se ao longo da noite

As ondas e a subida da maré do rio Douro, esta tarde, no Porto, puseram em perigo várias pessoas, incluindo turistas que se encontravam no topo de um autocarro panorâmico de visita à cidade, que foi prontamente rebocado.

Segundo o comandante da capitania do Douro, Raul Risso, apesar da "situação de alerta vermelho", esta terá sido "uma situação atípica, que não se pode considerar de onda gigante", ainda que este tipo de situações seja "sempre um processo dinâmico", pelo que a marinha está já a tomar medidas para que não se repita de imediato.

"Tendo em conta as condições meteorológicas, é natural que este tipo de ondas possa galgar a nossa costa", referiu Raul Risso, advertindo que "pode voltar a acontecer", até porque "a praia mar é por volta das sete da tarde".

A entrada do mar pela estrada adentro também arrastou e danificou dezenas de carros, para além de causar escoriações em quatro pessoas e de pôr outra em estado de hipotermia. Todas receberam já cuidados por parte do INEM.

O comandante da capitania do Douro alertou ainda para o mau tempo que deverá fazer-se sentir ao longo da noite, chamando a atenção para "as zonas que tenham habitações junto à costa, que normalmente estão mais expostas".

Uma das pessoas surpreendidas pelas ondas, Mário Vieira, de 60 anos, disse à Lusa que não teve qualquer tempo para ver o que fosse, porque foi "de imediato envolvido pela onda", enquanto se encontrava dentro da viatura de um amigo, que prontamente pôs o carro em marcha atrás.

"O carro desligou-se imediatamente, porque é um carro eletrónico, ficámos imobilizados, vimos pessoas a ser arrastadas e atiradas pela água e vimos uma molhada de carros a bater uns contra os outros junto ao Castelo [do Queijo], tipo efeito dominó", disse Mário Vieira.

Tudo terá acontecido "num espaço de dez, quinze segundos, não mais do que isso", disse o homem de 60 anos, natural de Alfena.

Dezenas de carros que foram arrastados e danificados pelo mar e teve de efetuar alargamentos sucessivos do perímetro de segurança montado pelas autoridades, devido à intensidade das ondas, que continuavam a galgar os muros da marginal portuense.

Pelas 17:00, essa zona de segurança chegava já perto da praça de táxis do jardim do Passeio Alegre, observou a Lusa no local.

Os feridos, dois homens, de 63 e 73 anos, e de duas mulheres, de 64 e 65 anos, foram transportados ao Hospital de Santo António, indicou fonte do INEM.

O caso de hipotermia não precisou de ser hospitalizado.

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