Mulher do arguido não falou ao tribunal

A mulher do homem acusado do rapto da criança de Lousada desaparecida há 13 anos não quis hoje falar ao tribunal, seguindo uma orientação do advogado do arguido.

"Foi aconselhada por mim a não falar", afirmou o jurista Paulo Gomes, à saída do tribunal, no intervalo para o almoço.

O advogado disse que o depoimento da testemunha não traria "algum prejuízo para o arguido", mas a defesa considerou não haver "particular interesse" na sua audição.

O início da sessão desta quarta-feira ficou marcado pelo depoimento de dois antigos estudantes na escola frequentada em 1998 por Rui Pedro, arrolados como testemunhas pela acusação.

Ambos disseram terem visto Rui Pedro, no dia do desaparecimento, com uma bicicleta, a falar com alguém que se encontrava dentro de um automóvel de cor preta, parada nas proximidades da escola. Segundo a acusação, a viatura pertenceria ao arguido.

Uma das testemunhas garantiu que a criança desaparecida entrou no referido carro após alguns minutos de conversa com o condutor. A segunda testemunha admitiu não ter visto Rui Pedro entrar na viatura, porque, nesse momento, ausentou-se para tirar a senha da cantina.

Nas perguntas feitas às duas testemunhas, o advogado de defesa de Afonso Dias identificou o que considerou serem contradições sobre o local e a hora.

Paulo Gomes requereu ao tribunal a leitura das declarações que as duas testemunhas fizeram em fases anteriores deste processo, nomeadamente à Polícia Judiciaria, procurando demonstrar as alegadas contradições.

Após a laitura dos autos, o advogado insistiu que, nos dias subsequentes ao desaparecimento de Rui Pedro, as testemunhas garantiram que tinham visto a criança junto ao carro entre as 13:30 e as 14:00. Hoje, as duas testemunhas disseram que viram Rui Pedro junto ao automóvel entre as 14:00 e as 15:00.

Para o jurista, esta aparente contradição "faz toda a diferença" e favorecem "claramente" a tese do arguido quanto às dúvidas que subsistem no processo. "O tribunal deve valorar isso", afirmou o advogado aos jornalistas.

Antes do início da sessão, a mãe de Rui Pedro disse aos jornalistas que a audiência de terça-feira, quando foi ouvido o primo do seu filho, foi "muito difícil e com muita angústia". Filomena Teixeira garantiu que o sobrinho dissera toda a verdade quanto ao desaparecimento de Rui Pedro.

O primo afirmou no tribunal que foi convidado, pelo arguido, conjuntamente com Rui Pedro, para irem às prostitutas a Freamunde, confirmando a tese da acusação.

A mãe da criança desaparecida, que tem assistido a todas as sessões do julgamento, mostrou-se hoje esperançada que se vai fazer justiça ao longo de tantos anos.

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