Monte do Soajo transformado num impressionante manto negro

O monte do Soajo, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, está transformado num impressionante manto escuro, de onde emana um intenso cheiro a queimado, fruto do pior incêndio de que há memória na freguesia.

"Dos 5900 hectares de monte que o Soajo tem, no mínimo arderam 4000. Foi impressionante, não há memória de uma coisa assim. Desta vez, o fogo chegou mesmo ao pé das casas, não poupou campos de cultivo, vinhas, árvores de fruto. Nada. Foi tudo à vida", refere à Lusa o presidente da Junta de Freguesia local.

Para Manuel Barreira da Costa, em situação particularmente difícil ficam os pastores e os criadores de gado, que viram o pasto para os animais ser completamente devorado pelas chamas.

"Vão sentir sérias dificuldades para passarem o inverno. No ano passado, vi muito gado morrer à fome. Este ano, não gostaria de voltar a ver, mas não sei não", acrescenta.

António Cerqueira, proprietário de 115 bovinos e 28 garranos, já fez contas à vida e começa a visualizar dias tão negros como o monte que abraça o Soajo.

"Vamos ter de mandar vir feno de Espanha. O pior é que os preços vão, certamente, disparar. Um fardo, actualmente, ronda os 2,60 euros, três euros. Com o aproveitamento que sempre há nestas ocasiões, a coisa pode subir para os quatro euros, cinco euros, sei lá", vaticina.

Para António Cerqueira, os incêndios significaram "um duro golpe", não só para os criadores de gado, mas para toda a população do Soajo.

"Se nós perdemos o pasto para os animais, a freguesia perdeu um bem muito maior, que era esta serra verdejante, mas agora está vestida de luto", refere.

Com 25 animais, entre gado cavalar, ovino e bovino, Maria Pires já percebeu que "a factura será pesada".

"O feno que importamos de Espanha já está a subir. Nestes últimos dias, aumentou 25 cêntimos. Falta saber o que estará para vir", atira, preocupada.

O presidente da Junta do Soajo confessa-se ainda "muito preocupado" com os impactos negativos que os incêndios poderão ter para a freguesia.

"Os turistas vinham aqui para passar um dia agradável, com ar puro, no monte. Agora, o que temos para lhe dar? Cinzas e cheiro a queimado. Vai ser muito complicado, muito complicado", afirma.

Os receios do autarca eram, pouco depois, confirmados por um grupo de turistas, que em plena eira comunitária do Soajo, onde pontificam os espigueiros que são ex-libris da freguesia, se manifestavam desolados com a cor do monte.

"Fogo, está tudo preto, assim nem dá gosto vir aqui", desabafava uma jovem.

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