Misericórdia pede mais respostas sociais para portadores de demência

Responsáveis pela Misericórdia de Mogadouro consideraram hoje que é "urgente" criar respostas sociais para ajudar pessoas portadoras de demência, particularmente idosos, e defenderam que é necessário preparar mais profissionais para lidar com este problema.

Segundo Cátia Garrido, psicóloga naquela instituição, desde 1994 não são feitos estudos em Portugal sobre a demência, o que leva a um "desconhecimento" desta realidade no país, não havendo também "um plano de estratégico para atacar problema".

"Há pessoas também com idade avançada, no caso familiares, a cuidar de pessoas portadoras de algum tipo demência sem terem condições físicas ou emocionais para a tarefa", observou a psicóloga clínica.

A técnica citou o caso do concelho de Mogadouro, onde existem idosos com quadros de demência considerados graves, que se encontram a residir sozinhos, não possuindo capacidades de autogestão do seu dia-a-dia.

Quem lida com pessoas portadoras de demência, defende que é preciso identificar os casos existentes em Portugal e em cada região em particular, para posteriormente serem delineadas estratégias de intervenção ao nível médico e social.

"Só com profissionais de saúde qualificados e estratégias delineadas se poderá prestar um melhor serviço, sendo que, para o efeito, é imperioso criar uma rede de cuidados, não só médicos, como socais, que respeitem a dignidade, a autonomia e qualidade vida destes doentes ", frisou Cátia Garrido.

Segundo a técnica, verifica-se falta de informação não só na população em geral como nos próprios profissionais de saúde, que não estão "sensibilizados" para a importância da formalização de um diagnóstico precoce.

Na maior parte das vezes, "desvaloriza-se" os sintomas, encarando-os como fazendo parte de um processo normal de envelhecimento, sublinhou.

"A demência não é um percurso normal de envelhecimento e só com um diagnóstico concreto é poderemos identificar o tipo ou grau da doença", acrescentou.

Quem cuida diariamente (cuidadores informais) de pessoas portadoras de demência, está sujeito a "elevados níveis de stress e depressão", devido ao impacto que a doença poderá ter no cuidador, não só ao nível emocional, como psicológico ou físico. E estes fatores "podem mesmo contribuir para um aumento dos indicies de exaustação física e psicológicos decorrentes do ato de cuidar", disse.

Em Portugal, só agora se começam a dar os primeiros passos com a recente criação de uma unidade de apoio vocacionada para a demência, situada na região de Lisboa. Porém, afirmou Cátia Garrido, ainda há "muito por fazer nesta área destes cuidados de saúde".

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