Maia com recolha seletiva de lixo porta a porta "cómoda"

David Fernandes, munícipe da Maia, rapidamente passou da teoria à prática, separando comodamente o lixo reciclável assim que, há um ano, lhe chegou a casa o projeto de recolha seletiva porta a porta.

O projeto, que abrange todo o concelho desde novembro do ano passado e já permitiu poupanças à autarquia, bem como contribuir para que o país alcance metas ambientais, tornou todo o processo de valorização de materiais "muito mais cómodo".

"Nós já fazíamos alguma separação mas, claro, tínhamos que nos dirigir ao ecoponto. Agora é muito mais cómodo e com certeza que reciclamos muito mais", afirmou David Fernandes à Lusa.

O agregado familiar de David, de quatro pessoas, tem em casa quatro contentores que a empresa municipal Maiambiente lhe ofereceu, cada um com uma tampa de cor diferente consoante o material a depositar, e se há um ano as embalagens iam parar ao lixo doméstico, agora vão todas para a reciclagem.

"Não fazia ideia que produzia tanto lixo e é impressionante o negócio das embalagens", confidenciou o munícipe, que tem a certeza de que "o sucesso de uma coisa destas indica uma mudança de mentalidades e isso é, de alguma maneira, uma surpresa".

Na Maia, os cerca de 135 mil habitantes habituaram-se a que apenas têm recolha de resíduos indiferenciados duas vezes por semana. As embalagens e o papel/cartão são recolhidos uma vez por semana, em dias diferentes, enquanto o contentor do vidro apenas se coloca à porta de casa uma vez por mês.

Todo o lixo recolhido no concelho é monitorizado pela Maiambiente, que consegue perceber quem recicla o quê, quanto e quando, através de um 'software' feito à medida para este projeto.

Cada contentor tem um identificador eletrónico que, quando em contacto com o camião do lixo que tem um sistema de leitura do mesmo, envia (por radiofrequência) para a base de dados que existe no 'back-office' da empresa informação sobre o tipo de resíduos que está a ser recolhido, em que dia da semana, hora e local, e a que munícipe pertence.

E é este sistema que, "no futuro, podem resultar numa tarifa indexada à quantidade de resíduos recolhida" em cada uma das famílias do concelho, salientou o diretor da Maiambiente, Carlos Mendes.

A empresa municipal admite não ser justo indexar a taxa de resíduos sólidos urbanos à tarifa da água, pretendendo "estimular" aqueles que mais contribuem para a reciclagem.

Para 2014 está já previsto que os munícipes convivam com duas tarifas diferentes: a real (indexada ao consumo da água) e uma virtual, que terá uma forma de cálculo que visa beneficiar o poluidor-pagador.

João Costa Lima, vizinho do David, congratulou-se pelo projeto "finalmente chegar" a sua casa no ano passado, considerando que a recolha seletiva porta a porta "ajuda as pessoas a pensarem um bocado mais sobre os problemas do ambiente".

Em jeito de balanço, João Costa Lima não tem dúvidas em também afirmar que "a maior quantidade de lixo que se produz tem a ver com as embalagens e plásticos", que "deviam ser diminuídas".

Apesar de estar bastante satisfeito com o serviço prestado pela empresa municipal, o munícipe entende que "poderia também ser recolhido o lixo mais graúdo".

"Eu sei que há muita gente que vai levar ao ecoponto", disse, acrescentando que defende que seja dado "um crédito ao munícipe" que ali leve resíduos, baseado no peso dos mesmos.

Esse crédito, concluiu, "poderia ser eventualmente descontado da sua conta de produção de lixo".

Este projeto da Maia, já galardoado e recentemente escolhido como finalista, com outros três, no prémio europeu RegioStars Awards 2014, envolve "um parque de cerca de 100 mil contentores, distribuídos por várias capacidades consoante a dimensão das famílias ou empresas, de quatro tipos" e mais de 130 funcionários.

O último relatório da empresa sobre recolha de resíduos refere que, tendo em conta os custos de tratamento, "os resíduos desviados para reciclagem/compostagem representam uma poupança para a autarquia de aproximadamente 859.800 euros", entre janeiro e novembro.

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