Torre 4 do Bairro do Aleixo demolida "depois da Páscoa"

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, afirmou hoje que "em breve" será revelada a data para a demolição da torre 4 do Bairro do Aleixo, assegurando que será "depois da Páscoa".

"Vão saber a data dentro em breve. Claro que é depois da Páscoa", adiantou o edil em declarações aos jornalistas, depois de acompanhar uma das ações de limpeza da brigada anti-grafito, junto ao Jardim Botânico.

Os técnicos da Câmara já estão no bairro a avisar as pessoas da demolição da segunda torre do complexo habitacional, mas Rio frisou que o assunto nada tinha a ver "com limpar paredes e grafitis".

A 06 de dezembro, a Câmara do Porto revelou à Lusa que o bairro do Aleixo não vai ser totalmente demolido até ao fim do mandato de Rui Rio, ao contrário do que o autarca previra um ano antes.

"Não será possível demolir o bairro todo até final do mandato porque tivemos de recalendarizar o plano de intervenção, em resultado de alteração da composição do fundo de investimento", disse à Lusa o gabinete de comunicação da autarquia.

Assim, acrescentou, em 2013 a Câmara prevê "demolir uma ou duas" das quatro torres que o bairro tem atualmente.

>A implosão do primeiro bloco daquele bairro social, que a maioria PSD/CDS da Câmara do Porto quer demolir, foi feita a 16 de dezembro de 2011.

Nesse dia, o presidente da autarquia, Rui Rio, disse esperar que a demolição de todo o bairro do Aleixo estivesse concluída durante o seu mandato.

Cerca de um ano depois, a Câmara revelava terem sido realojadas "cerca de 127 famílias" do bairro em "diferentes bairros sociais, de acordo com as suas preferências", acrescenta a autarquia.

"Cerca de 40" famílias do 'Aleixo' não tiveram direito a realojamento, por se considerar que não cumpriam os requisitos de atribuição de habitação municipal, disse a fonte municipal, em dezembro de 2012.

A Câmara do Porto aprovou a 17 de julho, com os votos contra do PS e da CDU, um aumento da participação autárquica no Fundo Especial de Investimento Imobiliário (FEII) e a entrada de António Oliveira no negócio.

A proposta previa que, no fim do ano, o empresário ligado ao Finibanco adquirisse 500 das unidades de participação detidas pelo município e as 600 unidades ainda na posse de Vítor Raposo -- até então o principal investidor do fundo, através da Gesfimo.

Estas 1.100 unidades juntar-se-ão às 567 já adquiridas por António Oliveira em maio, no âmbito do processo de aumento de capital do fundo de 2,6 para 5,3 milhões de euros, decidido em assembleia de participantes.

Em maio, Vítor Raposo ainda não tinha subscrito os 60% de unidades de participação do FEII apesar de já ter expirado o prazo contratual para tal.

A Gesfimo foi a única participante no concurso público lançado em 2008 para a escolha do parceiro privado para demolir o Aleixo.

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