Rui Rio recusa demolir torre 1 só para dizer que "é o maior"

O presidente da Câmara do Porto admitiu demolir em 2013 "uma ou nenhuma" das torres do bairro do Aleixo e recusou realojar moradores do bloco 1 que associou ao tráfico de droga só para dizer ser "o maior".

"Se quisesse demolir a torre 1 daqui por dois meses, demolia. Conseguia não ter lá ninguém, mas teria de realojar todas as pessoas e sei que a maior parte se dedica ao tráfico de droga. Achavam bem que, para dizer que sou o maior, realojasse pessoas que sei que se dedicam a isso para infernizar a vida de outros bairros?", questionou o autarca.

Rui Rio falava aos jornalistas momentos depois da implosão da torre 4, garantindo que apesar do atraso nas demolições "não fica nenhuma promessa por cumprir" e considerando não ser "possível parar o projeto", independentemente de quem for o seu sucessor.

"Fazia um brilharete se a deitasse abaixo já? Fazia, e os custos para a cidade? Não era honesto nem correto e não me sentiria bem com a minha consciência. Do ponto de vista do marketing, politicamente era muito bom para mim, mas para a cidade era mau e era injusto", frisou, ainda em relação à torre 1.

Nas três torres que restam no bairro vivem 138 famílias, 103 das quais no primeiro e mais problemático bloco do "Aleixo". Na torre 2 residem 166 pessoas e na 3 vivem 188 agregados.

Rio considera que a torre 1 deve ser "a última" a ser demolida, mas admite que a opção caberá ao próximo presidente da autarquia.

"Vai depender do meu sucessor. Acho que o dever é deixar para o fim porque só devemos demolir quando reduzirmos ao mínimo a obrigatoriedade de realojar quem não precisa de casa e irá para outro lado fazer tráfico de droga. Não vou fazer isso, só obrigado", afirmou.

Apesar de prever demolir apenas mais uma das três torres que restam no bairro até ao fim do mandato, o autarca diz que "não fica nenhuma promessa por cumprir".

"O projeto está em andamento. Agora não é possível agir da mesma maneira devido à crise económica internacional que entretanto se gerou", explicou.

Rio disse também ser pouco provável que o próximo presidente da autarquia trave o processo.

"Não vejo como é possível parar este projeto, sob pena de ter uma situação urbanística e socialmente muito má e um problema financeiro, porque existe um fundo que fez investimentos e depois vai ser preciso pagar indemnizações", alertou.

A torre 4 do bairro do Aleixo foi demolida por implosão, às 11:13 de hoje, numa operação que envolveu mais de 300 operacionais e obrigou a retirar 410 pessoas do perímetro de segurança.

A implosão da segunda das cinco torres do bairro envolveu vários tipos de materiais explosivos, distribuídos pelos três primeiros pisos e pelo sétimo, e muitos litros de água para minimizar o pó gerado pela queda do edifício.

A demolição da primeira torre - a torre 5 - aconteceu a 16 de dezembro de 2011.

No total, as cinco torres de 13 andares do bairro eram compostas por 64 casas em cada bloco, num total de 320 habitações onde, em 2008, viviam 960 pessoas e onde se estima que chegaram a viver 1.300.

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