Projeto para Bairro do Aleixo é "negócio de alto risco"

O presidente da Câmara Municipal do Porto afirmou que intervenção planeada para o Bairro do Aleixo, envolvendo uma parceria entre a autarquia e investidores privados, "é um negócio de alto risco" face à atual conjuntura.

Rui Rio falava na Assembleia Municipal do Porto, durante a discussão sobre a proposta de "alteração ao contrato celebrado entre o Município e a adjudicatária Gesfimo", uma sociedade detida pela família Espírito Santo que é responsável pelo Invesurb, o fundo de investimento que vai gerir o projeto imobiliário para o Aleixo.

O autarca havia sido confrontado pelo PS, CDU e Bloco de Esquerda com várias críticas tanto à operação gizada pela autarquia como ao seu desenvolvimento, desde logo porque, como aliás Rio admitiu, "é evidente que o fundo de investimento não conseguiu cumprir" por insuficiência financeira.

Com alteração aprovada agora, a Câmara aumenta a sua participação no capital do Invesurb de 10 para "38 por cento", o mesmo tempo que várias compromissos assumidos por aquele fundo continuam por cumprir, como sejam a transferência de moradores do Aleixo para a Baixa, apontou a CDU

"De tudo aquilo que foi proposto, nada foi cumprido", resumiu Artur Ribeiro.

O deputado eleito pela CDU considerou que "a Câmara vai ajudar privados", acrescentou que "este projeto faliu" e referiu que "não há garantia nenhuma de que este novo investidor se vá portar melhor do que Vítor Raposo", investigado num caso que envolve também Duarte Lima e o filho.

O novo investidor é o antigo treinador e selecionador nacional António Oliveira.

O Bloco de Esquerda (BE) referiu que Oliveira entra com dinheiro, ao passo que, nesta nova fase, "a Câmara vai entregar três terrenos" ao fundo Invesurb, que têm "mais de 3.000 metros quadrados".

"É um negócio indecente porque vai expulsar pessoas que vivem no Aleixo para entregar aquele espaço privilegiado á especulação imobiliária, estando previsto gerara uma mais valia de, pelo menos, 30 milhões de euros", disse o deputado bloquista José Castro.

Mas para o centrista Pedro Moutinho importa saudar "a determinação e resiliência" da Câmara Municipal pela manutenção do seu projeto para o Aleixo, que fazia, aliás, parte do programa eleitoral com que Rui Rio se recandidatou á autarquia, em 2009.

O PS considerou que a proposta apresentada demonstra "o total incumprimento do contrato por parte do Fundo"

"A Câmara assume o insucesso da operação imobiliária" que delineou e insiste na "teimosa de um modelo que falhou e que provavelmente voltará a falhar mediante as circunstâncias restritivas atuais", completou o socialista Tiago Barbosa Ribeiro.

O deputado admitiu que a Câmara queira prosseguir a demolição do Bairro do Aleixo, mas "pode prescindir do Fundo Imobiliário e do contrato estabelecido que os privados não cumpriram, confirmando que os tempos que vivemos não são favoráveis a estas operações imobiliárias".

"O fundo falhou, não foi a Câmara que falhou", contrapôs Paulo Rios, do PSD.

O que autarquia fez foi "tentar encontrar um novo parceiro", argumentou.

"Projeto para o Aleixo é uma promessa eleitoral e estamos a cumpri-la", reforçou Paulo Rios.

No mesmo sentido se pronunciou Rui Rio, dizendo: " A nossa obrigação é levar o projeto avante".

Segundo Rio, "prescindir do fundo imobiliário, como propôs o PS, "significa esforço do orçamento municipal".

A proposta acabou por ser aprovada com os votos do PSD e do CDS, tendo o PS, CDU e BE votado contra

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