Professores acusam câmara de irregularidade em concurso

Docentes defendem que Câmara de Vieira do Minho aceitou informação falsa

Um grupo de professores preteridos no concurso para aulas de actividades extracurriculares (AEC) queixa-se de alegadas irregularidades da Câmara Municipal de Vieira do Minho e vai solicitar ao Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga a impugnação das contratações.

A polémica subiu à última reunião do Executivo, e m que a coligação Unidos por Vieira (PSD/ /CDS) votou contra a consequente terceira alteração do quadro de pessoal, mas os vereadores da maioria socialista aprovaram as contratações. O líder da oposição, padre Albino Carneiro, ex-presidente da câmara, fez uma declaração de voto, contestando, além destas, "dezenas de contratações no espaço de um ano, quando to-da a gente sabe que não há dinheiro para isso".

Os professores, em documento enviado ao DN, sustentam que a autarquia minhota teria cometido "sucessivas irregularidades, prejudicando diversos candidatos com melhores currículos, que foram admitidos com informações falsas", como a suposta residência em Vieira do Minho. "Foram valorizados alguns candidatos através da atribuição de pontuação que não corresponde à realidade da situação dos mesmos, tais como a sua residência", referem os professores, queixando-se de que a sua exclusão teria sido "ilegal.

"Foi ainda atribuída pontuação relativa ao 'tempo de serviço' pelo júri a um candidato que na plataforma de contratação online referia não ter tempo de serviço a leccionar AEC", alegam ainda os professores, que estão já a preparar uma acção judicial para a impugnação do concurso. A Câmara Municipal de Vieira do Minho negou ao DN todas as acusações, já que "não existiram quaisquer anomalias durante o concurso", adiantando que "até agora ninguém apresentou uma única reclamação" (ver caixa).

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