Mosteiro de Santa Clara continua a degradar-se

O Mosteiro de Santa Clara continua a degradar-se "de dia para dia" e, após os vários apelos, o Governo "mantém-se insensível", lamentou hoje a Câmara Municipal, que voltou a alertar as autoridades políticas para este caso.

O presidente da autarquia mandou novos ofícios, a dar conta do estado de degradação do imóvel, desta vez para o Presidente da República, primeiro-ministro e ainda para os ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, da Justiça e da Economia.

Na missiva, o autarca diz que "a cobertura do mosteiro se apresenta com buracos e o edifício está permeável, a varanda principal está a destruir-se e tem havido deslizamentos de pedras da fachada, que já se precipitaram sobre as construções a poente".

Esta situação "põe em risco as vidas humanas, com consequências imprevisíveis e danos irreparáveis", frisou Mário Almeida, lamentando que as "audiências e telefonemas" que tem realizado, ao longo dos últimos meses, com responsáveis do Governo, continuem "sem dar frutos".

Desta vez, o autarca resolveu alargar o leque de alertas, porque teme que esta situação "se possa transformar em tragédia", mas, e se isso acontecer, "os responsáveis serão todos aqueles que algo podiam e deviam ter feito, mas que lamentavelmente nada fizeram".

Além do estado de degradação que o mosteiro apresenta, Mário Almeida argumenta que o imóvel é "diariamente invadido por estranhos", sendo sujeito a "atos de vandalismo, como incêndios, à semelhança do que já aconteceu".

Mário Almeida volta assim a insistir na gravidade de uma situação, que põe em causa, "não só a segurança pública", como também a "preservação de um exemplar da arquitetura portuguesa, que é património nacional".

Foi em 2002 que foi assinada a conversão daquele espaço, que funcionava como centro educativo para menores delinquentes, em pousada, através de um protocolo realizado entre os ministérios da Justiça e do Ordenamento do Território e da Administração Local.

A câmara comprometeu-se a elaborar o projeto do novo centro educativo, de forma a deixar o mosteiro livre para o Estado o transformar em pousada.

Em setembro de 2008, o Turismo de Portugal e o Grupo Pestana (proprietário da rede das Pousadas de Portugal) firmaram um contrato para a transformação do imóvel em pousada.

O centro educativo foi inaugurado em 2010, mas o mosteiro permanece fechado até hoje.

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