CDU quer suspensão da demolição do "Aleixo" e avaliação da operação que envolve Vítor Raposo

A CDU do Porto pediu hoje a suspensão do processo de demolição do bairro do Aleixo e a avaliação da operação imobiliária que envolve Vítor Raposo, devido à alegada investigação sobre esse empresário num negócio de terrenos em Oeiras.

Vítor Raposo detém actualmente 23 por cento do Fundo de Especial de Investimento Imobiliário (FEII) constituído para demolir o bairro do Aleixo, no Porto, prevendo-se que o processo evolua de forma a que subscreva o fundo em 60 por cento, adiantou na quinta-feira à Lusa a Câmara do Porto.

Em comunicado enviado à Lusa, a CDU sublinha que "o nível da participação no FEII de Vítor Raposo e a situação actual do BPN, nomeadamente na recuperação de créditos, poderá ter repercussões sobre a operação imobiliária do Aleixo e sobre a estrutura de participação de capital" do FEII.

"Vítor Raposo encontra-se sob investigação devido à alegada participação, em conjunto com Pedro Lima, filho de Duarte Lima, na compra de terrenos em Oeiras, envolvendo outro fundo imobiliário, financiado com 40 milhões de euros de empréstimos por parte do BPN", alerta a CDU.

Por isso, defendem, "o processo de demolição deve ser suspenso e toda a operação imobiliária em curso deve ser reconsiderada".

De acordo com os comunistas, o novo vereador da CDU, Pedro Carvalho (substitui Rui Sá, que deixou a autarquia na terça-feira), vai pedir na próxima reunião da Câmara "esclarecimentos sobre a atual situação do FEII e contratos subjacentes, no sentido de averiguar possíveis repercussões negativas para o município".

A CDU alerta que o realojamento das famílias do "Aleixo" tem vindo a ser "efectuado, com cariz prioritário, para os bairros municipais", numa "estratégia que desobriga a opção pela construção de nova habitação social por parte do FEII".

Por outro lado, reduz-se "a oferta global de habitação social na cidade do Porto, ao mesmo tempo que se contribui para os lucros dos participantes do capital do FEII".

A CDU alerta para este novo "fracasso das escolhas dos parceiros privados por parte de Rui Rio e da maioria PSD/CDS", tal como aconteceu no caso do Mercado do Bolhão e do Teatro Rivoli.

Isto leva "também a questionar outros processos e a fiabilidade dos parceiros encontrados onde o município assumiu responsabilidades por conta de um consórcio privado, como é caso do empréstimo de 12 milhões euros para o financiamento do centro de congressos no Pavilhão Rosa Mota", afirmam.

Desconhecendo se as suspeitas de envolvimento de Vítor Raposo no negócio de compra de terrenos em Oeiras terão reflexos no "Aleixo", Rui Rio garante que "mesmo que tenha reflexos indiretos na solução encontrada para o bairro" tudo fará "para levar o projecto avante.

O autarca adiantou ainda que já foi feito "parte" dos realojamentos e que estão a ser "terminados" os projetos de arquitetura para as "novas casas" para os moradores.

Vítor Raposo está a ser um dos alvos de uma investigação do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), que envolve também o advogado Duarte Lima e seu filho, Pedro Lima, por suspeitas de burla, branqueamento de capitais e outros ilícitos.

O empresário, deputado do PSD entre 1991 a 1995, é sócio de Pedro Lima em alguns negócios.

O caso em investigação envolve mais de 40 milhões de euros cedidos pelo BPN.

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Henrique Burnay

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