Cantora Maria Clara morreu no Porto aos 85 anos

Maria Clara, 85 anos, cujo enterro ser realizou quarta-feira no Porto, foi uma das primeiras vedetas da rádio e do teatro e intérprete de êxitos como "Figueira da Foz", "Marcha do Centenário" ou "Zé aperta o laço".


Segundo a Rádio Renascença, Maria Clara morreu terça-feira no Porto e foi a enterrar quarta-feira à tarde num funeral que, por sua expressa vontade, teve carácter restrito.

Maria Clara Começou como amadora na Sociedade Dramática Os Combatentes, em Lisboa, onde praticava ténis de mesa, tendo-se estreado profissionalmente em 1943 na opereta "A costureirinha da Sé" de Arnaldo Leite e Heitor Campos Monteiro, no Porto. O Século Ilustrado titula: "Nasceu uma estrela".

"Estreei-me com o António Silva, a esposa, Josefina Silva, a Luísa Durão, o Costinha, eu é que não era ninguém. Mas era uma grande camaradagem, todos muito meus amigos. Comigo estreou-se também o António Villar", recordou numa entrevista à revista SuperMúsica.

Seguiram-se depois várias operetas e revistas, mas logo em 1943 foi convidada para gravar.

"A peça foi um sucesso e a Valentim de Carvalho convidou-me para gravar. Só depois veio a rádio. Eu comecei no teatro", recordou a cantora na mesma entrevista.

A artista, cuja "voz cristalina" foi sempre elogiada pela imprensa, não foi admitida quando concorreu à Emissora Nacional, devido talvez ao seu casamento, no ano da sua estreia, com o catedrático Júlio Machado de Sousa Vaz, neto do ex-presidente da República Bernardino Machado, que pertencia à chamada "oposição".

O seu nome artístico surgiu de facto por ter uma "voz clara", na realidade esta lisboeta, radicada no Porto após o casamento, foi baptizada Maria da Conceição Ferreira.

Ao seu nome estão ligadas várias marchas populares de Lisboa, de que se destaca a "Marcha do centenário" (1940), e também canções panegíricas a cidades como Figueira da Foz, Viana do Castelo, Esposende ou Faro.

Será de um fadista, Alfredo Marceneiro, que guardou o maior elogio. "Ele [Alfredo Marceneiro] quase nunca falava. Mas nós sabíamos que o que ele dissesse era sagrado. E certa noite, no Teatro Avenida, virou-se para mim e disse-me: 'A menina canta muito bem, canta mesmo muito bem', nessa noite fiquei nas nuvens, eu nem me queria deitar", recordou à SuperMúsica.

"Gosto muito do trabalho em equipa, de estar em cima de um palco. Também gosto do trabalho em estúdio, lá está, é sempre o factor equipa que me alicia", disse numa entrevista.

Apesar da primeira reprovação para a Emissora, Maria Clara foi eleita Rainha da Rádio pelos leitores da revista Flama na década de 1960, e participou em vários espectáculos da rádio oficial, designadamente os "Serões para trabalhadores".

Em termos internacionais fez digressões ao Brasil e representou Portugal num Festival Internacional de Rádio, em Marrocos, na década de 1940.

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