Bairro do Aleixo fica com três torres e 138 famílias

A torre 4 do bairro do Aleixo, no Porto, vai ser hoje demolida numa operação que deixa com apenas três blocos, 192 habitações e 138 famílias o complexo residencial onde já existiram cinco prédios e 320 casas.

A operação começa pelas 08:30, com cortes de trânsito, a retirada de 410 pessoas e a criação de um perímetro de segurança delimitado pelas ruas Carvalho Barbosa, da Mocidade da Arrábida e Arnaldo Leite, onde os automóveis não podem circular.

Prevê-se que a implosão ocorra perto das 12:00 e que estejam concluídos pelas 12:30 os trabalhos financiados pelo Fundo Especial de Investimento Imobiliário (FEII) criado pela Câmara para demolir o bairro.

Entre 300 e 350 agentes de segurança, coordenados pelos comandantes do Batalhão de Sapadores Bombeiros e da Polícia Municipal, acompanham um processo que só será adiado se o perímetro de segurança for violado, se o vento exceder os 85 quilómetros por hora ou se os circuitos da implosão tiverem alguma anomalia.

Apetrechada com cargas explosivas nos três primeiros pisos e no sétimo, a torre 4 deve cair como "uma mesa a que cortam as pernas", de "forma controlada e autodestruindo-se" para um terreno devoluto, explicou na quarta-feira o diretor da empresa responsável pela implosão.

Cerca de 100 sacos de plástico, com cargas explosivas e cerca de mil litros de água cada, e 16 piscinas insufláveis espalhadas em redor da torre vão minimizar o pó gerado pela queda do edifício.

Esta é a segunda torre do Aleixo a vir abaixo, um ano e quatro meses depois da implosão da torre 5, às 11:45 de 16 de dezembro de 2011, dez anos após a inesperada vitória eleitoral de Rui Rio nas autárquicas de 2001.

Na altura o autarca contava ter o bairro todo demolido até ao fim do mandato, mas em dezembro admitiu que apenas seria possível implodir em 2013 "mais uma ou duas" torres.

A recalendarização deveu-se à alteração da composição do FEII, de onde saiu o empresário Vítor Raposo e entrou o ex-futebolista, treinador e empresário António Oliveira.

O fundo, designado INVESURBE, está agora "totalmente estabilizado", com os investidores Câmara do Porto, Espart e António Oliveira, a deterem, respetivamente, 30%, 33% e 37% das participações no capital.

Classificando a demolição como "um conhecido desígnio" do executivo, que "há muito considerou o bairro como irrecuperável" e viu essa decisão "sufragada nas eleições de 2009", a autarquia acrescentou que permanecem no bairro 138 famílias e que outras tantas foram realojadas.

A intenção de demolir o Aleixo foi anunciada por Rui Rio a 16 de julho de 2008, mas o processo esteve suspenso durante a campanha autárquica de 2009 devido à contestação dos outros candidatos.

A constituição do FEII prevê que a câmara lhe entregue o terreno do bairro "livre e desocupado", para a "futura reconfiguração urbanística da zona", depois "do respetivo pagamento", ou seja, "da entrega [à autarquia] de casas de habitação social, reabilitadas ou de construção nova".

As cinco torres de 13 andares do bairro eram antes compostas por 64 casas em cada bloco, num total de 320 casas onde em 2008 viviam 960 pessoas e onde se estima que chegaram a viver 1.300.

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