13 pisos da torre 4 reduzidos a escombros

A torre 4 do bairro do Aleixo, no Porto, foi demolida por implosão, às 11:13 de hoje, numa operação que envolveu mais de 300 operacionais e obrigou a retirar 410 pessoas do perímetro de segurança.

A implosão dos 13 pisos da segunda das cinco torres do bairro a serem demolidas envolveu vários tipos de materiais explosivo, distribuídos pelos três primeiros pisos e pelo sétimo, e muitos litros de água para minimizar o pó gerado pela queda do edifício.

Para a operação foi criado uma perímetro de segurança com cerca de 60 mil metros quadrados, delimitado pelas ruas Carvalho Barbosa, da Mocidade da Arrábida e Arnaldo Leite, onde os automóveis não podem circular pelo menos até às 12:30.

A partir das 08:30 foram retiradas de casas 410 pessoas, moradoras das torres 2 e 3 do bairro, onde apenas restam 138 famílias, e de habitações situadas nas imediações.

Entre 300 e 350 agentes de segurança, coordenados pelos comandantes do Batalhão de Sapadores Bombeiros e da Polícia Municipal, acompanharam o processo que só seria adiado se o perímetro de segurança fosse violado, se o vento excedesse os 85 quilómetros por hora ou se os circuitos da implosão tivessem alguma anomalia.

A demolição do Aleixo é um compromisso do atual executivo camarário, que tomou em 2008 a decisão de constituir um Fundo Especial de Investimento Imobiliário (FEII) para levar a cabo a missão.

O processo foi suspenso durante as autárquicas de 2009, porque o presidente Rui Rio decidiu que devia ser o povo a dizer, nas eleições, sim ou não à demolição do "Aleixo".

O concurso público aberto pelo município para a criação do FEII foi ganho pela Gesfimo, do Grupo Espírito Santo, que se previa ser constituído com um capital de seis milhões de euros, tendo como principais participantes Vítor Raposo, a Espart - Espírito Santo Participações Financeiras, SA, e o município.

Vítor Raposo entrou em incumprimento e a Câmara decidiu-se pela entrada do ex-treinador e empresário António Oliveira no negócio.

O fundo, designado Invesurbe, está agora "totalmente estabilizado", com os investidores Câmara do Porto, Espart e António Oliveira, a deterem, respetivamente, 30, 33 e 37% das participações no capital.

Antes da demolição da torre 5, consumada a 16 de dezembro de 2011, as cinco torres de 13 andares do bairro eram compostas por 64 casas em cada bloco, num total de 320 habitações onde, em 2008, viviam 960 pessoas e onde se estima que chegaram a viver 1.300.

Nesse dia, depois da implosão, um grupo de jovens alegadamente descontentes com a primeira demolição do bairro tentou agredir agentes policiais com pedras e garrafas.

Ninguém ficou ferido, mas para controlar os "ânimos mais exaltados" dirigidos à Polícia Municipal, foi necessário "usar gás pimenta", admitiu na altura o comandante Leitão da Silva.

Quatro dias depois, duas retroescavadoras que trabalhavam na remoção dos destroços da torre 5 foram incendiadas de madrugada por desconhecidos.

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