Inspector da PJ acredita que Rui Pedro ainda está vivo

Um antigo inspector da Polícia Judiciária (PJ) disse hoje, no Tribunal de Lousada, acreditar que Rui Pedro, a criança desaparecida há 13 anos, poderá ainda estar viva.

"Não tenho provas, mas essa é a minha convicção", afirmou.

José Ribeiro dos Santos, que participou nos primeiros dias da investigação após o desaparecimento, admitiu que a sua brigada não conseguiu reunir "provas conclusivas" quanto ao que aconteceu ao menor no dia 04 de Março de 1998, apesar de várias diligências efectuadas.

"Havia algumas coisas que não batiam certo. Não consegui materializar provas de que ele [arguido] era culpado ou inocente", afirmou.

Este antigo inspector, que foi arrolado como testemunha pelo Ministério Público, acusou a prostituta Alcina Dias de ter mentido ao tribunal.

A prostituta tinha dito em audiência que estivera com uma criança no dia do desaparecimento e que o menor fora levado num carro preto por Afonso Dias, único arguido neste processo, acusado de um crime de rapto qualificado.

A requerimento dos assistentes, o colectivo de juízes interrompeu várias vezes o depoimento do inspector, lembrando que aquele agente da polícia criminal estava impedido de contar conversas realizadas, na fase de inquérito, com pessoas mais tarde arroladas como testemunha, como foi o caso de Alcina Dias.

A defesa do arguido contestou, defendendo que os inspectores deveriam falar "sem quaisquer restrições de ordem formal" para se apurar a verdade, o que não convenceu o Colectivo.

Confrontado com limitação reiterada pelo tribunal, o inspector não deixou de expressar o seu descontentamento, alegando que assim não podia contrapor com "as testemunhas que vieram dizer mentiras ao tribunal".

"Se eu não posso falar, senhora doutora mande-me embora", afirmou, dirigindo-se à presidente do colectivo, num ambiente de alguma crispação.

José Ribeiro dos Santos, que conduziu as investigações até 2001, revelou que Alcina Dias lhe disse, dois dias após o desaparecimento da criança, no local do encontro com Rui Pedro, que o carro do homem que levara a criança era branco e não preto como há dias afirmou ao tribunal.

O inspector garantiu ainda que naquela diligência realizada em Lustosa não mostrou à mulher qualquer foto de Rui Pedro, contrariando também o que disse Alcina Dias em julgamento.

José Ribeiro dos Santos rebateu também parte do depoimento de hoje de Carlos Teixeira, um tio de Rui Pedro que acompanhou o inspector a Lustosa para ouvir a prostituta.

O familiar do menor disse ao tribunal que Alcina Dias tinha falado de um carro preto.

Para esta oitava sessão de julgamento estava agendada a audição de cinco inspectores da PJ arrolados pela acusação, mas apenas dois foram ouvidos.

O segundo inspector, José Leal, que assumiu a condução da investigação após 2001, prosseguindo-a até 2004, limitou-se a caracterizar e descrever pormenorizadamente alguns dos locais que constam dos autos e as reconstituições dos factos que conduziu.

O julgamento prossegue na terça-feira com a audição de mais alguns inspectores da PJ que participaram na investigação.

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