Homem que matou família diz que agiu em defesa da mulher

O homem que, em maio de 2011, assassinou o cunhado e o sobrinho a tiro, em Quintela, Valpaços, confessou hoje ter agido sob "tensão" e em "defesa" da mulher que estaria a ser agredida pelas vítimas mortais.

"Estou muito arrependido, envergonhado e triste pelo que fiz", disse hoje Alexandre Santos, de 70 anos, em primeira audiência de julgamento no Tribunal de Valpaços, perante um coletivo de juízes e quatro jurados.

A 18 de maio de 2011, o arguido atingiu com tiros de caçadeira cunhado e sobrinho, de 63 e 33 anos, depois de uma discussão por causa de uma passagem num terreno agrícola, local onde aconteceu o crime.

Depois de cometer os homicídios, Alexandre Santos foi a uma consulta médica agendada no Centro de Saúde de Ferrugende, a um quilómetro, acabando por ser detido pela GNR local enquanto media a tensão arterial.

As desavenças entre arguido e vítimas mortais deviam-se, essencialmente, a uma passagem numa terra agrícola que ambos reclamavam ser sua.

O arguido, acusado de dois crimes de homicídio qualificado e posse ilegal de arma, explicou, perante uma sala cheia de curiosos, que matou os familiares porque estariam a agredir a mulher a pontapé.

"Estava em casa a preparar os exames para levar ao médico quando ouvi a minha mulher a gritar por mim e dizer 'anda cá senão eles matam-me'. Peguei na arma, fui à terra e, quando vi que estavam a bater à minha mulher, pedi-lhes para pararem para evitar chatices. Eles continuaram e, de repente, o meu cunhado meteu a mão ao bolso e, como eu sabia que ele andava sempre armado, com medo que me atingisse, disparei", disse.

Alexandre Santos salientou que não tinha intenções de matar, mas agiu "em pânico e descontrolado".

Regressado de França há 24 anos, o acusado salientou que, "por várias vezes", tinha sido alvo de intimações por parte do cunhado que, inclusive, lhe "exibiu" uma pistola.

Maria Teresa Morais, mulher e mãe das vítimas mortais, salientou não ter presenciado o crime, mas quando ouviu os tiros foi ao local e, ao cruzar-se com o homicida, este ter-lhe-á dito: "já foram dois, agora tu também vais".

Valeu, segundo ela, uma vizinha que levou o homem para casa e lhe tirou a arma.

Comovida, a mulher adiantou que o marido nunca andava com armas, a não ser uma navalha para descascar fruta.

A testemunha contou ainda que, um mês antes do crime, o arguido tentou atropelá-la com um trator.

A audiência de julgamento continua no dia 27 de setembro, às 10:00.

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