Empresário confiou em burlão e ficou sem 700 mil euros

O empresário de jogadores nunca desconfiou do homem que conheceu em 1996 e que se apresentava como descendente e herdeiro da fortura da Jerónimo Martins. "Criaram-se laços de amizade. Eu e o meu irmão confiavamos nele", contou hoje Nuno Batista no Tribunal de S. João Novo, no Porto, onde José Carlos Martins responde pelo crime de burla qualificada.

Entre 1997 e 2009, o arguido, de 44 anos, apoderou-se de mais de quatro milhões de euros e na lista de lesados constam também os nomes dos jogadores de futebol Hélder (ex-médio do PSG), o guarda redes Ricardo Pereira, Sérgio Leite e Jorge Couto. Nuno Batista era empresário e irmão de Hélder e foi com ambos que José Carlos Martins formou uma empresa para agenciar jogadores.

Foi aberta uma conta conjunta em que Nuno era titular mas com morada de José Carlos e da ex-mulher, Claúdia Dória, também arguida neste processo. O dinheiro era para aplicações em investimentos imobiliários. "Viajavamos juntos, faziamos as deslocações com o Boavista, passavamos as férias em conjunto", afirmou hoje no tribunal o empresário. Até ao dia em que da conta tinham desaparecido mais de 700 mil euros.

Os jogadores do Boavista eram o alvo do arguido. Em meados da década de 90 começou a frequentar o cabeleireiro de Carlos Sampaio, na zona do Bessa, onde muitos jogadores eram clientes. Aí foram feitas as amizades. Dizia que se chamava Ricardo e que era herdeiro do antigo empresário Jerónimo Martins passou a ser conhecido pelo "Ricardo do Pingo Doce" ou "Pinguinho".

De acordo com a acusação, agia de forma metódica de forma a conquistar a confiança das futuras vítimas, convencendo-as a investir em negócios e em empreendimentos imobiliários. Na sessão anterior do julgamento, Jorge Couto contou como lhe entregou 800 mil euros. O guarda redes Ricardo perdeu 496 mil euros. O objetivo era obterem juros que duplicariam o capital. Ambos perderam essas poupanças.

A próxima sessão está marcada para 2 de julho, altura em que o guarda redes do FC Porto, Hélton, será chamado a testemunhar.

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