Dívida de longo prazo cresceu 24,8 ME em quatro anos

A Câmara de Viana do Castelo reduziu a dívida a fornecedores, em 2011, em cerca de 3,5 milhões de euros, mas o passivo de médio e longo prazo cresceu 24,8 milhões de euros em quatro anos.

Os dados constam do Relatório de Atividades de 2011, aprovado na segunda-feira pelo executivo municipal, apenas com os votos favoráveis da maioria PS.

O documento, afirmou o autarca José Maria Costa, apresenta a "boa notícia" da redução das dívidas a fornecedores que, a 31 de dezembro de 2011, eram de cerca de sete milhões de euros.

"De salientar o enorme esforço que o município efetuou ao longo do ano de 2011, na redução da dívida a terceiros, em 3,5 milhões de euros", apontou.

Contudo, o documento também reconhece o forte crescimento da dívida de médio e longo de prazo, consecutivamente, desde 2008. Nesse ano cifrava-se em 40,97 milhões de euros, subiu para 49,5 milhões (2009), depois para 58,1 milhões (2010) e fechou 2011 em 65,7 milhões de euros.

O socialista garante que este aumento resulta de empréstimos para investimento e "não para pagar dívidas", até porque a autarquia ainda tem uma capacidade de endividamento de sete milhões de euros, face ao máximo permitido.

"No entanto, de 2010 para 2011, fizemos um grande esforço financeiro, através de empréstimos para aquisição de terrenos, para melhoramentos dos nossos parques industriais. Investimentos que são reprodutivos, que vão reverter na criação de empregos e a instalação de empresas", sublinhou.

Um "número muito preocupante", admitiu António Carvalho Martins, um dos três vereadores do PSD.

"Assim como a aquisição de bens e serviços que continua a crescer sem que se faça um esforço significativo da redução da despesa ou de monitorização mensal das receitas", explicou, depois da abstenção dos vereadores do partido na votação do documento, tendo em conta que "reflete apenas os números colocados pelos funcionários".

"É a Câmara a empurrar com a barriga para a frente. Diminui a dívida de curto para aumentar a de longo prazo", criticou o vereador do CDS-PP, Aristides Sousa, que votou contra o documento, o qual reflete ainda uma taxa da Execução Orçamental do município, em 2011, de 78,2 por cento.

Por outro lado, o documento assinala o "excelente aproveitamento dos fundos comunitários", no valor global de 6,1 milhões de euros, ou a derrama que o município aplica aos lucros das empresas instaladas no concelho, que em 2011 atingiu o valor mais alto de sempre, 2,958 milhões de euros (corresponde a lucros de 2010).

Em 2011, a autarquia sofreu ainda a "redução significativa" das transferências da Administração Central, no valor de 1,4 milhões de euros face ao ano anterior.

Em termos de despesas correntes, que atingiram os 32,9 milhões de euros, mais de 16,8 milhões de euros corresponderam a despesas com pessoal.

Deste montante, cerca de 161.500 euros são relativos aos vencimentos dos cinco elementos do executivo a tempo inteiro. Os vereadores da oposição (PSD e CDS-PP) receberam em 2011 cerca de 9.400 euros em remunerações pelo serviço municipal de seis elementos (para quatro vagas).

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