Cidade revive tradições do Império Romano

Braga veste trajes de Roma, até segunda-feira, durante um evento que pretende reviver as tradições do Império Romano na cidade que era considerada a "Roma da Península Ibérica".

Mais de cinco mil crianças desfilaram hoje pelas ruas do Centro Histórico com trajes romanos, desde pequenos Césares a "grandes" Cleópatras, centuriões, gladiadores e cidadãos de um Império passado, época em que a cidade era conhecida como Bracara Augusta.

Políticos de hoje vestidos com túnicas romanas, polícias com espadas e escudos, miúdos a darem 'vivas' a um César que não sabem bem quem é, mas sabem que "manda".

"O César é aquele que manda. Eu sei quem é", explicou à Lusa Pedro, de 04 anos, romano "desde esta manhã".

Recebido o imperador na praça do município, representado pelo presidente da Câmara de Braga, Mesquita Machado, entre "Avés", "Vivas" e fanfarras, declarou-se o regresso de Bracara Augusta e começou o desfile.

"Só em Braga é que se vê isto. Um político a brincar à História. Mas até tem jeito, mesmo sendo baixinho", segredou um bracarense, não romano. "A minha mulher não me emprestou nenhum lençol", explicou assim as calças de ganga, fora da época.

Pelo cortejo, uma Cleópatra exibe a opulência do Império. Joias e trajes dourados. "Tudo falso. Até a Roma chegou a crise", explicou.

Braga Romana revisita os tempos de Bracara Augusta, "a Roma de Península Ibérica". Mas não se limita a trajes ou faixas nas lojas e edifícios do centro histórico. Há também "comércio tradicional".

Mezinhas, sabonetes, sandálias romanas, tudo de encontra pelas tendas do "Mercado Romano". Até armaduras, capacetes, "tudo o que o legionário precisa para o combate".

Vera Rebelo é a Mestre d'Armas de Bracara Augusta. "Vendo essencialmente para colecionadores, historiadores, teatros, cinema e alguns curiosos que acham piada a estas recriações históricas", explicou.

A mestre de armas destaca a "lorica amata", uma camisola em malha de aço, tecida à mão, a peça mais cara da comerciante e a "musculata", um colete em aço com a forma de um tronco musculado.

"Entre a cota de aço, o capacete, a espada, o escudo, os púgios e a musculata, um legionário carregava cerca de 25 quilos só em metal", adiantou.

No largo da Reitoria da Universidade do Minho é possível visitar uma recriação de um acampamento militar Romano que contrasta com a Igreja da Sé, erguida séculos depois do Imperador César Augusto ter fundado Bracara Augusta.

"Os soldados ainda não chegaram. Andam à caça de javalis", explicou assim o legionário, o único nas redondezas, que guardava o perímetro.

Até segunda-feira o centro histórico bracarense será palco de atividades circenses, representações dramáticas, simulações bélicas e personificações mitológicas, assim como de mais um cortejo romano, este noturno, na sexta-feira.

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