Centenas manifestam-se contra a falta de médicos

Centenas de pessoas manifestaram-se hoje em Felgueiras contra a falta de médicos, alertando para o que consideram ser "uma situação insustentável na saúde do concelho".

"Nós dizemos um profundo não ao que se está a passar. Este governo não pode continuar a governar de costas voltadas para o povo, tem que deixar de ajudar os ricos, para olhar por aqueles que mais necessitam", afirmou o porta-voz dos utentes.

Júlio Antunes referia-se ao facto de no serviço de consulta de recurso do centro de saúde de Felgueiras haver apenas um médico que tem de dar resposta a 35.000 doentes.

"Há pessoas aí perfeitamente aflitas. Querem fazer exames, querem mostrar exames, estão de baixa médica e tudo isso só o centro de saúde pode resolver", lembrou o porta-voz em declarações aos jornalistas.

Centenas de utentes concentraram-se junto ao centro de saúde, trazendo cartazes com frase críticas em relação à política de saúde do Governo e exigindo mais médicos no concelho de Felgueiras.

"Exigimos respeito e dignidade", "basta de brincar com os doentes, queremos médicos" e "não ao fecho do centro de saúde" eram algumas das frases inscritas nos cartazes, enquanto que a palavra de ordem mais gritada insistentemente pelo manifestantes era: "queremos médicos".

O porta-voz garantiu à Lusa que neste momento mais de metade da população do concelho não tem médico de família, estando dependente da consulta de recurso do centro de saúde.

Em abril de 2011, a população também se manifestou e nos dias seguintes foram colocados mais médicos, através de profissionais ligados a uma empresa privada contratada pela Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N.

Durante alguns meses, o serviço funcionou normalmente, mas recentemente voltou a degradar-se, diminuindo o número de médicos.

"Há dias em que não há médicos [no recurso] no centro de saúde. Só há uma médica para dezenas de milhares de utentes. Cada vez que um médico vai embora numa das extensões, caem aqui mais 2.000 doentes", explicou Júlio Antunes, aplaudido pelos populares.

Depois da concentração junto ao centro de saúde, os utentes seguiram a pé até aos paços do concelho, onde foram recebidos pelo presidente da câmara, Inácio Ribeiro (PSD).

Falando à entrada do edifício, rodeado por dezenas de populares, alguns do quais com críticas à autarquia, Inácio Ribeiro responsabilizou a ARS-N pela situação, garantindo que o município tem feito tudo para sensibilizar a tutela sobre o problema da falta de médicos no concelho.

O presidente da edilidade disse estar solidário com os protestos da população, que considerou serem justos.

Júlio Antunes agradeceu as palavras do autarca, mas exortou-o no sentido de ser mais firme nas exigências.

Após o breve encontro com o presidente da câmara, o porta-voz prometeu aos populares que se a situação não melhorar nas próximas semanas "o povo de Felgueiras dará a sua resposta".

"Encontraremos outras formas de luta mais agravada, que obriguem a que responsáveis deste país tenham de olhar para nós", prometeu, enquanto os populares pediam uma manifestação em Lisboa.

No final da manifestação, o porta-voz dos utentes explicou que foram convidados todos os partidos para participarem na manifestação, mas só o PCP se fez representar.

Jaime Toga, dirigente na Organização Regional do Porto do PCP, garantiu aos presentes que o grupo parlamentar daquele partido tem tentado resolver este problema, criticando também as demais forças políticas pela ausência no local.

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