"Não há justiça de primeira nem de segunda", garante Marcelo

O Presidente da República realça que os portugueses esperam que "a justiça se aplique sem discriminações"

O Presidente da República considerou hoje, a propósito da detenção do diretor do Museu da Presidência, que os portugueses esperam que "a justiça se aplique sem discriminações", e disse ter dado instruções para "total colaboração" nessa investigação.

Em declarações aos jornalistas, no parlamento, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que estas investigações respeitam a "factos antigos" e envolvem "um funcionário diretor de serviço antigo, muito conceituado", do quadro da Presidência da República, salientando que Diogo Gaspar foi condecorado pelos seus dois antecessores.

"Não tendo embora sido uma escolha minha, eu espero que possa provar a inocência. Mas o que é facto é que os portugueses esperam que na Presidência da República, como em todas as instituições, a justiça se aplique sem discriminações", acrescentou.

"Não há justiça de primeira nem de segunda, o que tem de ser aplicado é aplicado", reforçou.

Segundo o Presidente da República, "é muito importante que os portugueses percebam que todas as instituições devem ser exemplares".

"E se há factos que no passado ocorreram e que merecem investigação, seja um passado muito remoto, seja um passado relativamente próximo, sendo embora anteriores ao início do meu mandato, eles devem ser investigados", defendeu.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas à entrada para a cerimónia de entrega do Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa 2015, na Sala do Senado da Assembleia da República.

O chefe de Estado ressalvou que o funcionário em causa, Diogo Gaspar, "deve ser presumido inocente", e que espera "que possa provar a inocência", mas ao mesmo tempo frisou que "a justiça é igual para todos".

"Portanto, naturalmente que deve estar sujeito ele, como todos nós, à investigação da justiça, e dei instruções para que houvesse a total colaboração nessa investigação em curso", disse.

O diretor do Museu da Presidência, Diogo Gaspar, foi detido hoje por suspeita de crimes de tráfico de influência, falsificação de documento, peculato, peculato de uso, participação económica em negócio e abuso de poder, informou a Procuradoria-Geral da República.

Diogo Gaspar foi detido no âmbito de um inquérito em investigação no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, que teve início em abril de 2015 e envolve, atualmente, diversas buscas domiciliárias e não domiciliárias na zona da Grande Lisboa e em Portalegre, segundo o comunicado da procuradoria.

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