"Não há alternativa à reorganização da obstetrícia"

O secretário de Estado da Saúde, Manuel Teixeira, afirmou hoje que não existe alternativa à reorganização da área de obstetrícia em Lisboa, quando confrontado com o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa, tema em debate na Assembleia da República.

Vários projetos de resolução, apresentados por vários partidos, pedem a manutenção da maior maternidade do País e acusam o Governo de querer desmantelar a unidade.

"Não há alternativa à reorganização das áreas de obstetrícia de Lisboa. As taxas de ocupação da maternidade são de 66%. É um desperdício total que o País não pode sustentar. O que nós propomos é fazer a reorganização necessária com os profissionais e defendendo os utentes. O SNS não perdoaria se não o fizéssemos e da forma mais rápida possível", afirmou Manuel Teixeira, secretário de Estado da Saúde.

O responsável político afirmou igualmente que "a junção do hospital Curry Cabral e da maternidade é um ato natural e racional. Baseia-se na estratégia de organização da oferta hospitalar, com abertura de Cascais, Loures e futuramente Vila Franca de Xira, e organização da grande Lisboa em três polos. O Centro Hospitalar Lisboa Central é o grande embrião do Centro Hospitalar Lisboa Oriental. A transição para o novo hospital é complexa, especialmente na área em que existe excesso de oferta, que está associada a escassez de recursos e custos desnecessários", adiantou Manuel Teixeira, reforçando que "obstetrícia é uma das áreas onde há excesso".

PCP, PS, Verdes e BE apresentaram projetos de resolução, que só serão votados na sexta-feira, defendendo a continuidade da Maternidade Alfredo da Costa. "Há muitos milhões de euros de dinheiro público investidos na MAC. O único objetivo é a poupança das contas publicas a curto prazo, não pensando que aquilo que pode ser poupança hoje pode ter consequências graves no futuro. Não é só poupança. É a miragem de um bom negócio imobiliário a venda do edifício da MAC", afirmou João Semedo, do BE.

"Este Governo tem sido pródigo a ser anti bebés, anti pais, anti tudo infelizmente. Fechar a MAC não é só fechar uma maternidade. É fechar serviços de excelência e com excelentes resultados no tratamento de prematuros. A MAC tem sido um ponto de referencia para Lisboa e para o País", acrescentou Maria Antónia Almeida Santos, do PS.

Bernardino Soares, do PCP, diz que oencerramento visa ajudar os privados. "A MAC a encerrar é o por o privado a lucrar. É esta intenção que está por detrás desta ofensiva do Governo, a quem não é exigido número de partos, sendo que só duas, de acordo com um estudo, cumprem 1500 partos. A MAC tem de ser preservada tal e qual como foi nos últimos 80 anos", salientou o deputado comunista.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG