'Não' a alteração curricular sem participação do sector

A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) e a Confederação das Associações de Pais (Confap) manifestaram-se hoje, no Porto, contra eventuais alterações curriculares que venham a ser introduzidas sem a participação do sector.

"Não é certamente nos gabinetes do Ministério da Educação que se conseguirá fazer uma boa revisão curricular que responda às necessidades de educação e formação do futuro", afirmou o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, no final de uma reunião com a Confap. Dias da Silva realçou que foi possível verificar na reunião a "convergência em muitas preocupações em relação ao futuro e ao que deve ser a participação dos parceiros". Preocupa-nos que haja informações muito pouco claras da parte do Ministério da Educação relativamente àquilo que venha a ser alterações dos currículos dos ensinos Básico e Secundário", salientou.

Para o dirigente da FNE, também "causa muita perplexidade que neste momento ainda não se conheça nada de qualquer trabalho que venha a ser desenvolvido para que a escolaridade obrigatória de 12 anos tenha a sua concretização a partir do próximo ano". "Precisamos de estabilidade nas políticas educativas", defendeu, sublinhando que "não pode haver qualquer diminuição da qualidade da oferta educativa", com eventuais alterações curriculares ou mais cortes orçamentais.

O presidente da Confap, Albino Almeida, também reclamou uma discussão alargada sobre o que se pretende para a educação antes de se avançar com alterações de currículo. "Quando ouvimos falar de uma revisão curricular intercalar ficamos preocupados. Entendemos que uma revisão curricular deve ser antecedida de um debate nacional estratégico sobre a educação que queremos para o país nos próximos 20 ou 30 anos", salientou.

Albino Almeida manifestou-se também contra a intenção do Governo, já expressa pelo ministro da Educação, Nuno Crato, de acabar com a disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no nono ano. "Não podemos ouvir dizer tranquilamente que os nossos alunos aos 15 anos já sabem muito de informática. Constatamos aqui que os alunos poderão saber muito de informática daquilo que menos interessa para o prosseguimento de estudos", realçou.

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